Braskem inaugura fábrica de ‘plástico verde’ com presença de Lula

Unidade irá produzir 200 mil toneladas de eteno a partir do etanol de cana de açúcar

Elder Ogliari, da Agência Estado,

24 de setembro de 2010 | 18h13

A Braskem inaugurou a maior unidade industrial de eteno derivado de etanol do mundo nesta sexta-feira, 24, em Triunfo, no Rio Grande do Sul, em solenidade que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A fábrica vai produzir 200 mil toneladas de polietileno verde por ano usando tecnologia desenvolvida pela própria empresa.

A diferença está na matéria-prima. Em vez do petróleo usado no processo tradicional, é a cana-de-açúcar que vai gerar o etanol que será transformado em eteno, polietileno, plástico e por fim sacolas de supermercados, frascos de produtos de higiene e beleza, embalagens de alimentos e até tanques de combustível.

A grande vantagem ambiental é que cada tonelada produzida do chamado "plástico verde" sequestra até 2,5 toneladas de dióxido de carbono do ar a partir da absorção feita pela cana-de-açúcar. A Braskem investiu R$ 500 milhões no projeto, com recursos próprios e empréstimos e percebe que o produto terá mercado crescente. O presidente da empresa, Bernardo Gradin, diz que a demanda percebida já supera três vezes a capacidade da planta, mas acredita que não há teto. "Eu não colocaria limites", destacou.

Diante do quadro, a Braskem avalia a possibilidade de implantar uma nova unidade de eteno verde e já recebeu consultas de quatro países interessados em projetos semelhantes. Gradin, no entanto, não revelou detalhes dos possíveis futuros empreendimentos. Entre os clientes do plástico verde citados pela fabricante estão empresas como a Tetra Pak, Shiseido, Natura, Acinplas, Johnson & Johnson, Procter&Gamble.

Segundo Gradin, a planta de plástico verde de Triunfo também é um convite para empreendedores interessados em investir na cadeia. Por enquanto, a unidade será abastecida por 462 milhões de litros de etanol por ano adquirido em São Paulo, Minas Gerais e Paraná e transportado por navios, trens e caminhões ao Rio Grande do Sul. Para o futuro, o Estado está identificando zonas propícias ao plantio de cana-de-açúcar enquanto pesquisadores desenvolvem variedades adaptadas ao solo e clima locais.

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