Braskem inaugura fábrica de PVC em Alagoas

A Braskem inaugura oficialmente nesta sexta-feira uma fábrica de PVC, construída no município de Marechal Deodoro, em Alagoas. Maior investimento já realizado pela petroquímica em um único projeto no Brasil, a fábrica representa uma nova etapa do objetivo da Braskem de reduzir a dependência nacional por resina importada. O próximo passo pode ser dado no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), polo em construção no município de Itaboraí.

ANDRÉ MAGNABOSCO, Agencia Estado

17 de agosto de 2012 | 11h21

A nova fábrica tem capacidade para produzir 200 mil toneladas anuais de PVC, resina utilizada principalmente na construção civil. O projeto, avaliado em cerca de R$ 1 bilhão, elevará a oferta de PVC da Braskem para aproximadamente 700 mil toneladas e a capacidade nacional (que inclui a concorrente Solvay) para cerca de 1 milhão de toneladas. A demanda doméstica está em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas anuais.

A redução da dependência externa, contudo, deve ser momentânea, uma vez que a procura doméstica pela resina deve manter trajetória de crescimento no curto e médio prazos. "Dentro dos próximos três ou quatro anos, acreditamos que a demanda manterá taxa média de crescimento entre 4% e 5% ao ano", disse o vice-presidente da unidade de Vinílicos, Marcelo Cerqueira, em entrevista à Agência Estado.

A projeção, se confirmada, pode viabilizar a construção de outra fábrica entre 2016 e 2017, conta Cerqueira. Por isso, a Braskem já analisa alternativas para uma futura expansão, e o Comperj surge como opção, conforme revelado em 2011 pelo presidente da petroquímica, Carlos Fadigas.

Para sair do papel, entretanto, um novo investimento deverá se mostrar economicamente viável, a despeito dos custos de energia no Brasil. De acordo com Cerqueira, a energia responde por 70% do custo de produção da cadeia cloro-soda, que, por sua vez, dá origem ao EDC, matéria-prima usada na produção do PVC. Além da energia, a produção da cadeia está associada à oferta de sal (usado na produção do cloro) e eteno. "Temos disponibilidade de sal e eteno, mas temos como grande desafio o custo da energia", disse.

Um futuro investimento da Braskem na área de PVC, portanto, ainda não tem perfil definido. A companhia pode produzir localmente a resina com base em EDC importado ou fazer um investimento mais significativo em toda a cadeia, com a produção interna do insumo. No caso do projeto de Alagoas, a Braskem já possuía excedente de EDC, anteriormente exportado, e por isso investiu apenas nas linhas de PVC e MDC (um intermediário do PVC).

Cerimônia

A unidade de Alagoas, cuja inauguração deverá ter a presença da presidente da Dilma Rousseff, tornará o Estado o maior produtor brasileiro de PVC, desbancando a Bahia, onde a Braskem produz 250 mil toneladas, e São Paulo, onde a concorrente Solvay tem capacidade para produzir 300 mil toneladas anuais. O evento também comemora os dez anos desde a criação da Braskem, em 16 de agosto de 2002.

A duplicação da unidade levará a petroquímica a ampliar o escoamento da produção a partir de operações de cabotagem e venda de PVC a granel. Atualmente, a Braskem escoa aproximadamente 2 mil toneladas mensais da resina via cabotagem, número que deve superar 10 mil toneladas mensais com a nova unidade. No caso da venda a granel, a Braskem já está em contato com potenciais parceiros interessados nesse modelo de negócio.

A expansão também resultará em maior consumo de energia e gás natural. Por isso, a Braskem, juntamente com a Eletrobras, investiu no aperfeiçoamento do sistema de abastecimento elétrico local, com a instalação de uma nova linha de transmissão. O aporte, avaliado em mais de R$ 14 milhões, garantirá maior estabilidade e capacidade de suprimento na região.

Além disso, o consumo de gás natural contratado junto à distribuidora Algás saltará de 350 mil para 550 mil metros cúbicos diários. A evolução da demanda acompanhará a curva de maturação da unidade, que deve atingir plena capacidade até dezembro. De acordo com Fadigas, a produção da fábrica, iniciada em abril passado, será absorvida integralmente pelo mercado interno até o final de 2013.

Apesar de aumentar em aproximadamente 25% o volume da oferta local de PVC, a diretoria da Braskem prevê que será possível evitar um desarranjo nos preços locais. "Não esperamos sobressaltos no mercado. Temos uma relação muito forte com os clientes e preparamos juntamente a eles a entrada dessa nova unidade", disse Cerqueira.

O projeto da Braskem tem valor presente líquido (VPL) estimado em US$ 450 milhões, conforme divulgado pela companhia em 2010. Para viabilizar a obra, a Braskem obteve linha de até R$ 525 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de R$ 200 milhões com o Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Tudo o que sabemos sobre:
Braskemnova fábricaPVC

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.