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Braskem planeja nova fábrica nos EUA

Projeto será levado ao Conselho da petroquímica e pode começar a ser construído em 2017; unidade seria a sexta da empresa no país

Karin Sato e Luana Pavani, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 09h05

A Braskem avalia construir sua sexta fábrica nos Estados Unidos, especificamente no Texas, para tirar proveito do avanço da demanda de polipropileno (PP) e da sobreoferta de sua matéria-prima, o propeno.

Em coletiva sobre os resultados do primeiro trimestre do ano, Fernando Musa, o novo presidente da petroquímica, afirmou que os estudos do projeto podem ser levados ao Conselho no fim do ano, com possível início da construção em 2017. A demanda por polipropileno nos EUA tem aumentado sobretudo em função das vendas para o setor automotivo.

“Buscamos oportunidades de crescer em PP a partir de propeno competitivo nos EUA”, afirmou o executivo. Questionado sobre a possibilidade de compra de ativos nos Estados Unidos, Musa explicou que a empresa está avaliando oportunidades de reduzir gargalos em unidades e construir novas unidades, bem como “continua aberta a oportunidades de aquisição no mercado americano”.

Depois de comprar as plantas de polipropileno da Sunoco, em 2010, e unidades da Dow Chemical em 2011, a Braskem passou a ser a maior produtora dos Estados Unidos de PP em capacidade. A integração das duas unidades se deu justamente sob o comando de Musa, que até assumir a presidência da petroquímica nesta semana no lugar de Carlos Fadigas, era presidente da unidade da Braskem para EUA e Europa.

Enquanto o mercado americano vai bem, o doméstico patina, em função da crise econômica. A Braskem espera queda ao redor de 7% em volumes no mercado interno neste ano. A retração do mercado brasileiro no primeiro trimestre deste ano levou as vendas no País a somarem 780 mil toneladas, com queda de 18% ante igual período de 2015.

Apesar desses números mais fracos no mercado nacional, a Braskem vai dedicar 51% do investimento deste ano para o Brasil. Do total de R$ 3,661 bilhões, R$ 1,855 bilhão será destinado ao País.

Balanço. No que diz respeito aos resultados, o lucro de R$ 747 milhões da petroquímica, apesar de ter registrado avanço de 266% na comparação com o mesmo período do ano passado, frustrou analistas. Na média, eles esperavam que os ganhos atingissem R$ 1,082 bilhão no período, conforme as projeções de três casas (BTG Pactual, Itaú BBA e Brasil Plural) consultadas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) veio em linha. O indicador mais que dobrou entre os períodos, um aumento de 106%, para R$ 3,056 bilhões, próximo do esperado, que era um crescimento de 103%. A receita líquida também veio dentro das expectativas, tendo registrado um aumento de 19%, para R$ 12,172 bilhões ante o primeiro trimestre de 2015. A média das estimativas era de R$ 12,772 bilhões.

Processo. Sobre a ação coletiva da qual a petroquímica é alvo nos Estados Unidos, por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás, o vice-presidente financeiro da Braskem, Pedro Freitas, disse que a empresa fez um pedido contra a petição dos autores da ação. A Justiça norte-americana tem dois meses para avaliar.

Se o pedido da Braskem não for aceito, o processo deve demorar de seis meses a um ano para se concluir. “Em 98% dos casos isso termina com algum tipo de acordo”, disse Freitas.

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