Braskem quer evitar falta de produtos após acidente

A direção da Braskem quer evitar um novo desabastecimento de produtos petroquímicos no mercado. Pouco mais de dois meses após um apagão energético interromper as atividades da companhia no polo de Camaçari (BA), os acidentes ocorridos neste fim de semana na unidade de Cloro Soda em Maceió (AL) podem resultar em nova redução da oferta de soda e PVC. "Temos estoque para atender o mercado e faremos todos os esforços para que não haja desabastecimento", afirmou à Agência Estado o vice-presidente de Relações Institucionais da Braskem, Marcelo Lyra.

ANDRÉ MAGNABOSCO, Agencia Estado

23 de maio de 2011 | 19h53

O problema a ser superado pela companhia está justamente no curto espaço de tempo entre os ocorridos. A paralisação das atividades em Camaçari, durante aproximadamente 20 dias no mês de fevereiro, reduziu drasticamente os estoques da petroquímica. A área mais afetada foi o segmento de vinílicos, composto por PVC e cloro-soda - insumos produzidos na unidade de Maceió, abastecida pelo complexo de Camaçari.

Questionado sobre essa possibilidade, Lyra destaca que a unidade de Camaçari teria condições de suprir a produção de soda, cloro e PVC da fábrica alagoana. A fabricação local de cloro é voltada para uso interno da Braskem, na produção de PVC, enquanto a soda cáustica e o PVC da unidade são vendidos para terceiros. A questão é que a Braskem ainda não possui uma projeção de quando as operações no local serão reativadas, situação desconfortável para uma empresa que ainda passava por processo de recomposição de estoques. "Ainda não trabalhamos com uma data prevista para a retomada. Nossa equipe está trabalhando no local e é prematuro definir prazos", destacou.

A primeira missão da petroquímica brasileira é detectar a origem do problema que resultou no rompimento de uma tubulação da unidade e posterior vazamento de cloro. Membros da diretoria técnica do Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Alagoas estiveram na Braskem nesta tarde para vistoriar o local. Segundo Lyra, a companhia ainda não recebeu qualquer comunicação oficial acerca da análise de multas pelo órgão estadual.

Após a vistoria, executivos do IMA e da Braskem se reuniram para discutir os dois problemas ocorridos nos últimos dias. Ambos foram relacionados ao rompimento de tubulações, mas somente o primeiro resultou no vazamento de cloro. A direção da petroquímica destaca que foram investidos R$ 400 milhões na unidade de Maceió nos últimos três anos em manutenção, atualização da unidade e nas áreas de segurança e meio ambiente.

Além da unidade de Maceió, o Estado de Alagoas conta com uma fábrica no município de Marechal Deodoro. A unidade está em construção e seu cronograma permanece inalterado, destacou Lyra. O projeto, estimado em cerca de R$ 1 bilhão, ampliará a capacidade de produção de PVC no Estado de 260 mil para 460 mil toneladas anuais e deverá iniciar operação ainda no primeiro semestre de 2012.

Segundo informações da Braskem, as 130 pessoas que deram entrada no Hospital Geral do Estado (HGE) com sintomas de intoxicação respiratória após o acidente de sábado receberam alta até a noite de ontem. A exceção é um funcionário da petroquímica, que permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e apresenta quadro de melhora. Já entre os cinco montadores de andaimes que estavam próximos ao local do acidente ocorrido nesta segunda-feira, dois já deixaram o hospital. Os demais trabalhadores, funcionários da Mills (empresa que presta serviço à Braskem), permanecem internados após passarem por cirurgias. "Acompanhamos os funcionários desde o início e seguimos os apoiando, inclusive em relação às famílias", sintetizou Lyra.

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