Alex Silva/AE - 25/04/2008
Alex Silva/AE - 25/04/2008

Braskem vai investir US$ 2,5 bi em petroquímica no México

Em parceria com a mexicana Idesa, grupo brasileiro vai produzir polietileno no país a partir de 2015

Alexande Calais, de O Estado de S. Paulo,

09 de novembro de 2009 | 10h50

A Braskem, maior fabricante de produtos petroquímicos da América Latina, dá um novo passo em seu processo de internacionalização. A empresa vai construir no México, em parceria com o grupo mexicano Idesa, um complexo petroquímico com investimentos estimados em US$ 2,5 bilhões. O complexo será composto de uma unidade de produção de etileno, com capacidade de 1 milhão de toneladas por ano, e três unidades de produção de polietileno - a matéria-prima para a fabricação de produtos plásticos.

 

O grupo brasileiro será majoritário na joint venture com a Idesa. Do total de US$ 2,5 bilhões a serem investidos no projeto, cerca de 70% devem vir de financiamentos - as fontes ainda não estão definidas - e o restante deve ser capital próprio dos sócios. Se tudo correr dentro do planejado, a ideia é que o complexo comece a funcionar em 2015.

 

A definição do projeto se deu após a joint venture vencer uma licitação aberta pela estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), que vai fornecer os 66 mil barris diários de etano que vão viabilizar o complexo petroquímico, batizado de "Etileno XXI". Inicialmente, esse complexo seria construído pela própria Pemex, em parceria com o grupo canadense Nova Chemicals. Mas divergências em relação ao preço do etano que seria fornecido pela Pemex fizeram com que o projeto estatal fosse abandonado em 2007, e repassado à iniciativa privada. O México atualmente tem de importar produtos petroquímicos derivados do etano e o objetivo, com a construção do complexo, é mudar essa situação.

 

Para a Braskem, que pertence ao Grupo Odebrecht, a chegada ao México vai representar a entrada definitiva no mercado norte-americano - uma vez que o México faz parte do Nafta, mercado comum que une o país aos Estados Unidos e ao Canadá. Além de abastecer o mercado mexicano, deve haver ainda um excedente de produção que poderá ser exportado para os Estados Unidos, que, segundo estudos, devem deixar de ser autossuficientes exatamente a partir de 2015.

 

O investimento, no entanto, não deve fazer com que o grupo brasileiro adie sua intenção de compra de uma unidade petroquímica nos Estados Unidos. O presidente da Braskem, Bernardo Gradin, anunciou em entrevista recente que a empresa analisa "mais do que um alvo" no país.

 

O mercado americano é prioritário dentro dos planos do grupo petroquímico brasileiro de se tornar um dos cinco maiores competidores globais até 2020. E Gradin já disse várias vezes que quer aproveitar o momento atual em que os ativos petroquímicos nos Estados Unidos estão desvalorizados, para entrar de vez no país.

 

Os planos internacionais da Braskem incluem também investimentos na América do Sul. A empresa constrói duas unidades petroquímicas na Venezuela, em parceria com a estatal Pequiven. Esse projeto, porém, já teve seu prazo de conclusão adiado duas vezes. A princípio, a previsão era iniciar as operações em 2010. Esse prazo, no entanto, foi postergado no ano passado para uma janela entre o final de 2011 e o começo de 2012. Este ano, esse prazo foi adiado para o início de 2013.

 

O grupo brasileiro também estuda investimentos em novas unidades no Peru e na Bolívia. Esses negócios, porém, ainda não passaram da fase de prospecção e dependem de algumas variáveis, como a garantia de fornecimento de matéria-prima, para saírem do papel.

 

Além desses investimentos, a Braskem ainda negocia a incorporação da petroquímica brasileira Quattor, em um negócio que envolve também a Petrobrás - que é sócia tanto de uma quanto de outra.

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