Bresser defende controle sobre d?lar; Goldfajn discorda

Debate promovido nesta ter?a-feira, 31, pelo portal estadao.com.br, mostrou diverg?ncias de economistas sobre perspectivas para o d?lar

Vin?cius Pinheiro, da Ag?ncia Estado,

31 de julho de 2007 | 16h15

O ex-ministro da Fazenda e professor em?rito da Funda??o Get?lio Vargas, Luiz Carlos Bresser-Pereira, defendeu a necessidade de uma maior interven??o do governo na cota??o do d?lar, inclusive com a cria??o de um imposto que incidiria sobre a exporta??o de commodities. Ele voltou a atacar o que chamou de "populismo cambial" brasileiro durante debate promovido nesta ter?a-feira, 31, pelo portal estadao.com.br, do qual tamb?m participou o ex-diretor do Banco Central e s?cio da Ciano Investimentos, Ilan Goldfajn. ?Veja tamb?m:? V?deo do debate na TV Estad?o??Goldfajn discordou da tese levantada pelo ex-ministro da Fazenda?de que o Pa?s vive um "populismo cambial". Para o economista, a pol?mica sobre a desvaloriza??o do d?lar foi relevante no passado, em especial na d?cada de 1990, quando a economia possu?a elevados d?ficits em transa??es correntes. "N?o se pode mais falar de problema cambial em um Pa?s que tem dinheiro para pagar toda a d?vida externa e onde ano ap?s ano a balan?a comercial s? sobe", analisou.?Ele?tamb?m n?o concordou com a cria??o de um imposto sobre exporta??es de commodities nem com a tese de Bresser-Pereira de que o Brasil sofre da chamada "doen?a holandesa". Ele ressaltou que o real valorizado n?o impediu o crescimento do consumo e da oferta de cr?dito. Para este ano, o economista projeta uma taxa de crescimento pr?xima a 5%, mas observou que, para manter a expans?o da economia nesse n?vel, ? preciso focar na capacidade de atender a essa demanda. "Se h? uma doen?a, creio que seja a falta de capacidade de a oferta reagir."?Mas?Bresser-Pereira disse que?o objetivo da medida ? fazer com que as vendas externas desses produtos passem a compensar somente com uma taxa de c?mbio mais elevada. A al?quota desse novo tributo variaria de acordo com o pre?o internacional de cada commodity, a fim de garantir o retorno aos exportadores.?O ex-ministro afirmou que a tributa??o sobre as exporta??es de recursos naturais foi adotada pela Noruega a partir da descoberta de petr?leo no pa?s. O dinheiro arrecadado com o imposto ? destinado a um fundo internacional, tamb?m com o objetivo de n?o valorizar a moeda local artificialmente, de acordo com o relato de Bresser-Pereira.?"Doen?a holandesa"?Na vis?o do economista, o Pa?s sofre da chamada "doen?a holandesa", caracterizada por um quadro de forte aprecia??o cambial e compat?vel com o equil?brio das contas externas, gra?as a alguma distor??o de mercado. Ao manter a moeda excessivamente valorizada, o Brasil acabar? inviabilizando a competitividade do setor industrial. "Estamos desorientados no desenvolvimento econ?mico", criticou.?Segundo o ex-ministro, o c?mbio valorizado eleva artificialmente os sal?rios e transforma investimentos em consumo. "N?o h? perspectiva de crescimento de longo prazo com essa pol?tica de c?mbio apreciado e consumo sem investimento", avaliou, durante o debate. Outra solu??o sugerida por Bresser-Pereira para conter a desvaloriza??o do d?lar é o controle de entrada de capitais. Melhora fiscal e mais investimentos Na visão de Goldfajn, o controle de entrada de capitais, como defendeu o ex-ministro no debate, mostrou-se uma medida ineficaz nos países onde foi implementada, uma vez que o mercado já provou que consegue burlar esse tipo de regra. "Na Venezuela, ela só serviu para enriquecer os bancos que arbitram entre o dinheiro que está dentro e fora do país." O ex-diretor do BC atacou a elevada carga tributária e a crescente elevação dos gastos do governo, uma das razões dos gargalos em infra-estrutura. "Não é a toa que estamos passando pelo problema do apagão aéreo", destacou. Segundo Goldfajn, existe um desincentivo regulatório que acaba se traduzindo em uma taxa de retorno mais elevada exigida pelos investidores privados para financiar os projetos na área. O economista chamou atenção ainda para a necessidade de fortalecimento das instituições, como as agências reguladoras. "Enquanto a carga tributária elevada e os gargalos da economia são questões antigas, no caso das instituições, houve uma piora considerável nos anos recentes", avaliou.  BC e os juros Bresser-Pereira e Goldfajn mostraram visões divergentes sobre o papel da autoridade monetária na definição da taxa básica de juros da economia. Na visão de Bresser-Pereira, a política de juros do BC é voltada para beneficiar o setor financeiro e os chamados "rentistas". O ex-ministro afirmou não ter dúvidas de que a taxa poderia ser menor. "O BC está capturado pelos interesses financeiros nacionais e internacionais", criticou. Bresser-Pereira afirmou que a redução dos juros para um patamar real da ordem de 4% não traria o risco de um descontrole inflacionário. Ele observou que a queda da Selic poderia ocorrer em um prazo de seis a oito meses, desde que o governo se comprometesse a reduzir o nível dos gastos públicos e acabasse com toda a indexação ainda presente na economia brasileira. Em defesa da autoridade monetária, Goldfajn rebateu o argumento de que os juros são elevados apenas por uma decisão do BC. "Podemos discutir se as taxas estão altas ou não, mas não há como discordar que o BC está cumprindo a meta para a qual foi designado", destacou. Segundo Goldfajn, o BC teve papel importante na redução da inflação nos últimos anos e na melhoria na distribuição da renda da população. "A queda da inflação beneficiou uma maioria silenciosa", ressaltou. Ele defendeu ainda a cautela adotada pela autoridade monetária no processo de redução da Selic. Por outro lado, Goldfajn concordou com a observação de Bresser-Pereira de que uma contenção nos gastos do governo contribuiria para uma queda mais acelerada da Selic. Os dois também fizeram uma avaliação semelhante sobre a perspectiva de o País alcançar o grau de investimento pelas agências de classificação de risco. Para ambos, os mercados deverão antecipar o fato e as conseqüências do anúncio, quando vier, serão pequenas na economia como um todo.     

Tudo o que sabemos sobre:
DólarMercado cambial

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.