BRF negocia joint venture para avançar na China

Empresa comunica que está conversando com o grupo Dah Chong Hong e planeja instalar fábrica no país em 2012

Raquel Landim, de O Estado de S. Paulo,

31 de maio de 2011 | 23h00

A Brasil Foods (BRF) comunicou nesta terça-feira, 31, que iniciou negociações para formar uma joint venture com a companhia Dah Chong Hong, sediada em Hong Kong. É o primeiro passo de um ambicioso plano de expansão na China, que pode culminar com a construção de uma fábrica em 2012. A BRF foi formada após a fusão de Sadia e Perdigão, mas o negócio ainda espera a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Em fato relevante divulgado ao ercado nesta terça no fim da tarde, a BRF informou que o propósito das negociações é o estabelecimento de uma joint venture "para distribuição no mercado chinês, processamento local, desenvolvimento da marca Sadia na China e alcance dos canais de varejo e food service".

"Se concretizadas, as operações deverão abranger os mercados de Hong Kong, Macau e China continental", explica a companhia brasileira na nota. Como o documento de intenções assinado é preliminar e os detalhes da proposta ainda estão em discussão entre as empresas, o valor do negócio não foi informado.

O parceiro escolhido é a Dah Chong Hong (DCH) Limited. A empresa tem capital aberto na Bolsa de Hong Kong e faz parte de um conglomerado que se tornou um dos maiores distribuidores de automóveis, alimentos e produtos de consumo na China. Atualmente, a DCH é controlada pelo Grupo Citic Pacific, que é 57,5% estatal.

As negociações entre Brasil Foods e Dah Chong Hong começaram há algum tempo, porque a empresa já é a distribuidora da BRF em Hong Kong, mas avançaram na visita da presidente Dilma Rousseff a Pequim em abril. O presidente da BRF, José Antonio do Prado Fay, acompanhou a comitiva presidencial e aproveitou a oportunidade para um jantar com a diretoria da DCH.

Na viagem, o governo brasileiro obteve de Pequim a permissão para que alguns frigoríficos brasileiros exportem carne suína e derivados para o país asiático. A negociação foi longa e exigiu intenso lobby do setor privado, mas está sendo fundamental para a investida da BRF.

Conforme uma fonte próxima ao negócio, a lógica é aliar a matéria-prima e a tecnologia brasileira com a forte distribuição do grupo de Hong Kong. A DCH já possui até estrutura para distribuir produtos congelados e refrigerados no território chinês.

Fases. O investimento da BRF na China terá três fases, caso as negociações prosperem. No começo, a DCH vai apenas distribuir os produtos. Até o fim do ano, seria iniciada a industrialização local, que pode ser o fracionamento e reembalagem dos produtos. E, em 2012, o processo culminaria com a instalação de uma fábrica. Seria a terceira unidade da BRF no exterior - já está presente na Argentina, Inglaterra e Holanda.

O objetivo é vender produtos processados, com a marca Sadia, no mercado chinês. Hoje, a BRF apenas exporta carne in natura congelada para a China, principalmente asas e pés de frango.

Em conversa com analistas e investidores quando foi divulgado o balanço do primeiro trimestre, os executivos da BRF já haviam sinalizado que estavam interessados em entrar no mercado chinês, mas diziam que isso só seria possível por meio de parcerias locais./COLABOROU SUZANA INHESTA

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