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BRF vende ativos na Tailândia e na Europa, mas valor frustra mercado

Ações da fabricante de alimentos caíram 4% após companhia arrecadar R$ 1,3 bilhão em negociações com a americana Tyson Foods; programa de reestruturação iniciado em junho previa angariar R$ 5 bilhões, mas só coletou R$ 4,1 bilhões

Nayara Figueiredo e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 04h00

A BRF (dona da Sadia e Perdigão) anunciou na quinta-feira, 7, a venda de seus ativos da Europa e da Tailândia para a gigante americana Tyson Foods. O valor do negócio, fechado por US$ 340 milhões (R$ 1,3 bilhão), ficou abaixo das expectativas do grupo e do mercado financeiro. As ações da companhia, que vem de dois anos consecutivos de prejuízos e empreende esforços para sair do vermelho, encerraram na quinta-feira em queda de 4%, cotadas a R$ 23,21.

Com o acordo anunciado, a empresa conclui o plano de desinvestimento anunciado em junho, quando o executivo Pedro Parente chegou ao grupo, logo após ter deixado a Petrobrás. Inicialmente, a BRF previa levantar R$ 5 bilhões com a venda de fábricas, imóveis e outros ativos. Conseguiu arrecadar, no entanto, apenas R$ 4,1 bilhões.

Com dívida acumulada de R$ 16,3 bilhões até setembro do ano passado e citada nas operações Carne Franca e Trapaça, a BRF tem sido pressionada a melhorar seus resultados operacionais. A fabricante negocia um acordo de leniência referente a fraudes sanitárias detectadas pela Polícia Federal com o Ministério Público Federal.

Em conversa com jornalistas, Parente ligou a arrecadação aquém do esperado com os ativos às “adversidades” da companhia na Argentina e na Europa, mercados onde está reduzindo sua atuação. Segundo o executivo, o conselho de administração da BRF chegou a cogitar a possibilidade de vender outros negócios para que a meta de R$ 5 bilhões fosse batida – mas a ideia foi descartada. Com isso, a empresa vai demorar mais seis meses para reduzir sua alavancagem.

Há oito meses à frente do dia a dia e do conselho de administração da BRF, Parente se deparou com mais problemas do que previa quando assumiu a empresa com o apoio dos fundos de pensão, que são acionistas do grupo. A chegada do ex-presidente da Petrobrás ocorreu após a tumultuada saída de Abilio Diniz e do fundo de investimento Tarpon, que antes davam as cartas na fabricante de alimentos.

Resistência

Parente ainda enfrenta resistência de acionistas do grupo para emplacar o executivo Lorival Luz como presidente da empresa, apurou o Estado. Luz ocupa o cargo de diretor global de operações da companhia e deve assumir o comando da BRF nos próximos meses. Parente vai ficar somente no comando do conselho.

Nesta semana, a contratação do executivo Ivan Monteiro – também ex-Petrobrás – como vice-presidente de finanças da BRF reacendeu discussões de que ele poderia assumir a presidência da gigante dos alimentos. O nome de Parente chegou a circular nos últimos dias como possível futuro presidente da Vale, após a tragédia de Brumadinho. A empresa nega as duas informações.

Antes de voltar a dar lucro, porém, o grupo ainda tem pela frente outro desafio: retomar o ritmo de exportações para a Arábia Saudita, um de seus principais mercados internacionais.

No mês passado, o governo saudita anunciou o descredenciamento de cinco unidades brasileiras que vendiam frango ao país, incluindo duas da BRF.

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