Brics aprovam criação de fundo comum no valor de US$ 100 bi

'O acordo já foi firmado pelos ministros, agora vai para avaliação dos presidentes, amanhã', disse Mantega

Fernando Travaglini, enviado especial da Agência Estado,

26 de março de 2013 | 08h31

DURBAN - Os ministros de finanças dos países dos Brics - formado por Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul - aprovaram um acordo de contingenciamento de reserva comum (CRA, na sigla em inglês) no valor de US$ 100 bilhões. O acordo de reserva de contingência prevê a criação de um fundo de reservas destinado a socorrer os países do grupo, em caso de crise de liquidez.

"O acordo já foi firmado pelos ministros, agora vai para avaliação dos presidentes, amanhã", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à imprensa após reunião no evento dos Brics, em Durban, na África do Sul. "O acordo de reservas nada mais é do que um grande acordo de swap entre os países", acrescentou.

Mantega e ministro das Finanças da CHina Lou Jiwei, após o acordo.

A presidente Dilma Rousseff também está em Durban. O primeiro compromisso será reunião com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, marcada para as 18h15, no horário local (13h15 em Brasília).

Em seguida, às 19h30, Dilma participa da cerimônia de abertura da V Cúpula de Chefes de Estado e de Governo dos Brics. Às 20h45, ela estará em jantar oferecido pelo presidente sul-africano aos chefes de Estado e de Governo presentes ao evento. Todos os compromissos serão realizados no Centro Internacional de Convenções, em Durban.

Acordo com a China

Mantega também conversou sobre o acordo assinado com a China. Ele disse que o acordo para troca de moedas (swap) no valor de US$ 30 bilhões implica um relacionamento mais estreito com a China. "O acordo inclui a área comercial, financeira e até aduaneira", disse, em entrevista à imprensa após reunião do encontro dos Brics - grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

"Hoje a China é nosso maior parceiro comercial e podemos ampliar para outras áreas. Estamos abertos para que os chineses participem de investimento em infraestrutura, energia e óleo e gás".

Tanto Mantega quanto o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, negaram que a assinatura do acordo seja por causa da crise na zona do euro. "Acordos de swap são bastante comuns hoje entre os bancos centrais", disse Tombini. "Não está ligado à crise europeia". "Não foi pela crise, pois ela estava pior no ano passado do que agora", completou Mantega.

O valor acordado, US$ 30 bilhões, é suficiente para cobrir entre oito e 10 meses de exportação e importação. O acordo não afeta as reservas internacionais brasileiras, pois representa apenas a troca de moedas.

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.