Eldorado Brasil/Divulgação
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Briga pela Eldorado vai para arbitragem nos próximos dias

Justiça nega extensão de prazo à Paper Excellence e também impede J&F de vender sua fatia a terceiros até o fim do processo

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2018 | 05h00

As discussões sobre a compra de 100% da Eldorado, da família Batista, pela Paper Excellence, que tem entre seus acionistas a família Wadjaja, dona da Asia Paper and Pulp (APP), deverão ser levadas a arbitragem nos próximos dias, apurou o Estado.

Decisão da 2.ª Vara da Justiça Empresarial de São Paulo negou liminar à PE para estender a data limite da compra do controle da companhia, que venceu nesta segunda-feira, 3. Além disso, negou a proposta da companhia de aportar recursos na Eldorado para que a própria empresa pagasse diretamente suas dívidas, de acordo com fontes a par do assunto.

A Justiça decidiu, porém, que a J&F ficará impedida de vender a terceiros a fatia de 50,6% que ainda detém da Eldorado. Além disso, a administração da companhia precisará permanecer inalterada até a decisão da arbitragem. Fontes ligadas à J&F entendem que a família Batista não está mais obrigada a vender a fatia restante à PE. A compradora, porém, deve manter a posição de deter 100% do negócio.

Em setembro de 2017, a PE firmou acordo para a compra da Eldorado, por R$ 15 bilhões, incluindo dívidas. A operação foi feita em etapas. A PE desembolsou R$ 3,8 bilhões por 49,4% da companhia e se comprometeu a liberar em até um ano as garantias dadas pela J&F, holding da família Batista.

O impasse é relativo à liberação dessas garantias de dívidas da J&F de R$ 6,8 bilhões com bancos, além de R$ 2,3 bilhões em ações da JBS. Segundo fontes próximas ao caso, a compradora entende que a J&F poderia pagar com os recursos recebidos. Já a holding dos Batistas alega que a compradora precisará fazer isso diretamente com os bancos. Entre os principais credores da Eldorado estão BNDES, com R$ 2,7 bilhões, e FI-FGTS, com R$ 940 milhões.

Fontes ligadas à J&F dizem que tentaram negociar a conclusão do acordo. Já pessoas ligadas a PE alegam que não houve colaboração da J&F. Para o grupo, a família busca evitar a conclusão do negócio para tentar uma revisão do acordo, uma vez que celulose e dólar subiram ao longo de 2018. Hoje, a Eldorado valeria R$ 25 bilhões.

Oficialmente, nem J&F nem Paper Excellence quiseram comentar o assunto.

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