Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Plano é lançar projeto-piloto de 5G até o fim do ano, diz presidente da Brisanet

A companhia do nordeste, que foi uma das vencedores do leilão realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em novembro de 2021, tem planos de se tornar a quarta grande operadora de internet móvel no País

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2022 | 12h02

A maior provedora de internet do Nordeste, Brisanet, planeja iniciar o seu primeiro projeto de 5G até o fim do ano, pavimentando o terreno para futuramente tornar-se a quarta grande operadora de internet móvel do País, atrás de Vivo, TIM e Claro e no lugar da Oi, que vendeu suas redes móveis para as rivais.

"Vamos buscar um modelo que possa competir bem em preço e qualidade", afirmou há pouco o presidente da companhia, José Roberto Nogueira, durante o eveto TeletimeTec, realizado nesta manhã na capital paulista. "A expectativa é que a Brisanet entre como a quarta operadora, com condições técnicas muito boas de competir", declarou o executivo.

A Brisanet foi uma das vencedores do leilão realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em novembro de 2021, quando arrematou lotes das faixas de 3,5 Ghz e de 2,3 Ghz - usadas prioritariamente para o 5G e o 4G. Segundo Nogueira, o projeto piloto vai focar na faixa de 2,3 GHz em uma capital e em cidades menores ao redor. A localização exata não foi revelada. "É um teste. Vamos buscar nosso aprendizado debaixo do radar (das concorrentes)", explicou na sequência, em entrevista à imprensa.

A Brisanet vai destinar o sinal de 5G para a prestação de serviços de internet móvel assim como de forma complementar em banda larga por meio da tecnologia FWA (internet rápida sem fio). Fora do Nordeste, a Brisanet planeja trabalhar em parceria com as demais operadoras para garantir o roaming de seus clientes.

Nogueira reiterou que a companhia não tem previsão de trabalhar no curto prazo com projetos de compartilhamento de redes com as grandes teles (modelo chamado de ran sharing). Tampouco há intenção de realizar aquisições. "Nosso crescimento sempre foi orgânico e continuará assim".

O executivo disse que os recursos da oferta de ações na bolsa (IPO, na sigla em inglês) feita no ano passado são suficientes para bancar os investimentos até o fim de 2022 e início de 2023, voltado para implementação das redes de fibra ótica e colocar de pé o projeto do 5G. A estratégia de investimentos daqui para frente combinará recursos próprios e captação de financiamentos. Neste segundo semestre será feita uma nova captação no mercado. Para 2023, o investimento em 5G deve ser maior do que em 2022, estimou. Ele acrescentou que a expectativa é de obter um retorno (payback) para os investimentos de fibra e de 5G nos próximos quatro a cinco anos.

O presidente da Brisanet considerou ainda o mercado de banda larga muito agressivo, com preços abaixo do necessário para rentabilizar os investimentos, e afirmou que a política da companhia é de não baixar preços. Na sua região de atuação, o pacote de internet da empresa parte de R$ 90, enquanto há concorrentes oferecendo até R$ 50, citou. "Para essas empresas é difícil sobreviver assim, olhando inflação acumulada e expectativas. Quem continuar com esse preço baixo vai ter dificuldade de continuar operando no futuro", frisou.

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