British Airways alerta para problemas e pede corte de custos

Segundo alerta de executivo da companhia aérea, negócio precisa mudar estruturalmente para sobreviver

Agência Estado e Dow Jones,

08 de junho de 2009 | 13h08

O executivo-chefe da British Airways, Willie Walsh, alertou aos funcionários em uma newsletter semanal interna que a companhia aérea enfrenta sérias ameaças caso os custos não sejam reduzidos e o negócio mude estruturalmente. No entanto, os empregados da empresa rejeitaram o pedido por um corte nos pagamentos, segundo o sindicato Unite.

 

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Em uma declaração forte aos funcionários, que começa destacando que a General Motors acabou de se tornar a maior companhia industrial dos EUA a pedir concordata, Walsh afirmou que os negócios da British Airways estão sob ameaça. "Estamos testemunhando uma mudança estrutural em nossos negócios", disse. "Pretendo fazer tudo o possível para garantir que não vamos nos tornar a próxima GM", acrescentou.

 

Reiterando que atualmente não há sinais de uma recuperação no mercado aéreo e que o turismo premium pode nunca voltar para os níveis anteriores à crise, Walsh pediu aos funcionários que, "individualmente e coletivamente, lutem pela nossa sobrevivência". "Cada um de nós precisa entender que é todo o nosso negócio que está sob risco e que o único meio de garantir empregos é levar a empresa de volta à lucratividade o mais rápido possível", disse Walsh na carta.

 

A British Airways está tentando reestruturar suas práticas de trabalho, porém os sindicatos não têm demonstrado disposição para aceitar as propostas da companhia. Um porta-voz do Unite confirmou que os funcionários rejeitaram uma proposta para corte de salários. Segundo o sindicato, 2.987 empregados votaram contra a proposta, enquanto 487 votaram a favor das iniciativas de corte de custos da companhia.

 

Uma porta-voz da empresa afirmou que haverá mais negociações nesta semana com o sindicato. A British Airways estabeleceu o dia 30 de junho como fim do prazo para as negociações, mas o porta-voz do Unite não quis comentar se a greve é uma possibilidade caso um acordo não seja alcançado. A empresa já cortou 2,5 mil vagas desde meados do ano passado e agora emprega cerca de 40 mil pessoas.

 

Apesar do alerta feito aos funcionários, Walsh afirmou durante uma conferência da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) que a British Airways possui recursos para receber aviões encomendados. Segundo o executivo, a empresa está pronta para receber quatro Boeings 777 neste ano e outros seis em 2010.

 

Perdas

 

A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) previu nesta segunda que as companhias aéreas do mundo - abatidas pela combinação de baixos rendimentos e pouca demanda em meio à recessão mundial e à propagação da gripe suína - perderão US$ 9 bilhões este ano. A previsão, apresentada pelo organismo que representa cerca de 230 companhias aéreas em todo o mundo, é quase o dobro da perda de US$ 4,7 bilhões estimada em março.

 

"Nossa indústria está em modo de sobrevivência", destacou Giovanni Bisignani, diretor-geral da Iata, na reunião anual do grupo, revelando a mais recente estimativa.

 

As companhias aéreas da região da Ásia-Pacífico podem registrar seu pior desempenho neste ano, com perdas estimadas em US$ 3,3 bilhões, seguidas pelas europeias, que podem apresentar prejuízo de US$ 1,8 bilhão.

 

A crise financeira global e a recessão têm afetado duramente o setor, que no ano passado registrou um prejuízo de US$ 10,4 bilhões - revisado ante a estimativa original de perda de US$ 8,5 bilhões.

 

Segundo Bisignani, a receita total do setor aéreo cairá 15% em 2009, para US$ 448 bilhões, de US$ 528 bilhões no ano passado. O porcentual é muito superior à queda de 7% registrada pelas empresas de aviação após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

 

O diretor-geral da Iata afirmou ainda que o setor de cargas está mostrando sinais de estabilização após a queda de 23% em dezembro, em termos anuais.

 

A Iata informou, em comunicado, que a demanda por carga aérea diminuirá 17% em 2009, uma vez que as companhias aéreas devem transportar 33,3 milhões de toneladas de carga, segundo previsões, ante 40,1 milhões de toneladas no ano passado.

 

A demanda de passageiros, por sua vez, pode contrair 8% este ano, para 2,06 bilhões de passageiros, em comparação com os 2,24 bilhões de 2008. "O impacto da redução da demanda na receita será mais expressivo por causa da forte queda nas margens de lucro - 11% para o transporte de cargas e 7% para os passageiros", informou a associação.

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