BRMalls desiste de administrar a Daslu

 Lojistas foram avisados ontem por telefone

Cintia Bertolino e Naiana Oscar, de O Estado de São Paulo,

11 de fevereiro de 2010 | 08h35

 A BRMalls, maior empresa de shopping centers do País, vai deixar a administração da Villa Daslu. Os lojistas instalados no espaço anexo à butique da empresária Eliana Tranchesi ficaram sabendo da desistência ontem, no que pareceu uma força-tarefa da BRMalls para informar os empresários antes que a notícia vazasse. Alguns foram convocados para uma reunião, outros receberam telefonemas. Hoje, exatamente dois anos depois de ter assumido a gestão da Villa Daslu, os executivos da empresa devem se reunir para definir os detalhes da saída.

Os representantes da BRMalls não usaram a crise da Daslu, mergulhada em dívidas fiscais que superam os R$ 900 milhões, para justificar a desistência. A empresa alegou que não tem mais interesse em administrar shoppings nos quais não tenha participação. O contrato firmado em fevereiro de 2008 previa apenas a gestão do espaço - o que, na época já foi uma exceção nos negócios da BRMalls. Naquela ocasião, o presidente Carlos Medeiros chegou a anunciar que tinha interesses de comprar o empreendimento no futuro. Ao que tudo indica, mudou de planos.

A empresa garantiu aos lojistas que eles não serão prejudicados. Mas o clima de insegurança tornou-se inevitável. "A Daslu é um negócio que está sendo implodido", disse o dono de um estabelecimento que se instalou recentemente no empreendimento de luxo de Eliana Tranchesi. Entre os empresários, já corre há um bom tempo a informação de que a Daslu deve deixar o prédio em que está instalada desde 2005. A Villa tem 8,5 mil metros quadrados de lojas e restaurantes e outros 3,3 mil metros quadrados de áreas de eventos.

A dona do terreno onde está o prédio da Daslu é a construtora WTorre - sócia do Iguatemi no shopping voltado para o público de alta renda que será vizinho da própria Daslu. A Villa Daslu e a BRMalls não comentaram as mudanças.

A BRMalls tem participação em 35 shopping do País. O último deles, o Shopping Metrô Santa Cruz, em São Paulo, foi comprado em outubro da incorporadora JHSF, por R$ 200 milhões. A Daslu está em crise, praticamente, desde que abriu as portas. Em 2005, a Polícia Federal descobriu que as importações da empresa eram subfaturadas. Em 2009, Eliana foi condenada a 94 anos e 6 meses de prisão por formação de quadrilha, contrabando e falsidade ideológica, e acabou presa pela segunda vez. Desde então, a Daslu vem sendo oferecida a fundos de investimentos, sem encontrar compradores.

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