JB Neto/Estadão
JB Neto/Estadão

Fusão de gigantes de shoppings avança, mas BRMalls ainda quer oferta maior

Aliansce Sonae insiste há meses no negócio e fez terceira proposta nesta terça-feira, 19; concorrente, porém, ainda acredita que há espaço para conseguir um negócio melhor

Fernanda Guimarães e Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2022 | 10h15
Atualizado 19 de abril de 2022 | 15h02

A terceira proposta da Aliansce Sonae para fusão com a BRMalls abriu a porta para o início formal das tratativas entre as gigantes de shoppings, mas o valor ainda não agradou o conselho de administração da companhia de shoppings centers, apurou o Estadão/Broadcast. A nova proposta deverá, contudo, ser encaminhada para deliberação dos acionistas da empresa em assembleia, embora a expectativa seja de que a Aliansce terá, mais uma vez, de elevar a oferta.

Pelos novos termos, a oferta apresentou um aumento de aproximadamente 18% comparado à relação de troca originalmente proposta em janeiro, pelos cálculos da BRMalls. A transação embute o pagamento de R$ 1,25 bilhão em dinheiro a mais e entrega de 326,3 milhões de ações (avaliadas em R$ 7,1 bilhões), representativas de 55,2% do capital social da nova companhia combinada.

Internamente, a visão na BRMalls é de que a partir desse valor já é possível que as duas partes se sentem à mesa para discutir a transação, embora a avaliação ainda seja de que o valor não seja suficiente para um acordo, conforme fontes. A proposta ainda não seria de consenso entre os principais fundos que são acionistas da empresa.

O vice-presidente do Conselho da BRMalls, João Roberto Teixeira, esclarece que a companhia, quando recebeu a proposta não-solicitada em janeiro, deixou claro à Aliansce que via méritos em se discutir uma transação para se elevar a escala do negócio e que havia, dessa forma, disposição de explorar tal possibilidade. No entanto, a leitura, naquele momento, era de que “o preço estava muito longe do que seria o razoável”.  “Com a chegada da segunda proposta fomos consistentes e, agora, com a nova proposta, o entendimento é de que havia chegado o momento de “engajar a companhia” nesta negociação. Ele frisa que com esse preço já é possível que a proposta seja levada aos acionistas, o que não significa "que o conselho concorde com esse valor". 

Segundo Teixeira, a expectativa é de que nos próximos dias as primeiras reuniões com a Aliansce e seus assessores já ocorram, de modo a acelerar as negociações, tendo em vista que a oferta recebida tem um prazo de validade até o próximo dia 28. “Há também outros pontos importantes que devemos analisar, que vão além do preço,  como aspectos de governança, retenção de talentos, capital e estratégia futura da empresa”.  Se esses pontos entre as empresas forem convergentes, a negociação poderá ser mais célere, afirma.

A união das gigantes dos shoppings é discutida há meses, por iniciativa da BR Malls, é dona de 31 shoppings centers em 12 Estados, entre eles Jardim Sul e Santa Cruz, na capital paulista. Já a Aliansce Sonae possui em seu portfólio 38 empreendimentos, sendo 26 próprios e 12 administrados, incluindo o Plaza Sul, em São Paulo. 

Pressão por mais 

Nos bastidores a ideia seria chamar uma assembleia para que a nova proposta seja avaliada pelos acionistas e assim evitar mais polêmica com investidores menores, que já queriam ter votado sobre a fusão. No entanto, se de fato essa proposta for para a assembleia, o conselho não deverá dar sua recomendação para aprovação. 

Esse aval costuma ser o balizador para o voto favorável vindo de investidores estrangeiros. Assim, sem o sinal verde do conselho, dificilmente a oferta  passará pela votação. Com isso, Aliansce estará pressionada para fazer uma nova oferta.

Em paralelo, a BRMalls tem carta na mão: ela está em negociação com a Ancar, que terá a chance de fazer uma proposta superior à da Aliansce e, assim, ser escolhida para um “casamento”. Os quatro maiores acionistas da BrMalls – Squadra, Capital International, Atmos e Velt – ainda estariam divididos sobre o novo lance.

Negociações começaram em janeiro

No começo de janeiro, a Aliansce publicou sua primeira proposta de fusão, que daria origem ao maior conglomerado de shoppings do País. Mas o conselho de administração da BRMalls rejeitou a oferta de forma unânime por entender que não havia um prêmio à altura da transação.

Ambas as partes são favoráveis a uma combinação dos negócios por entenderem que há chance de ganhar escala, diluir custos e explorar sinergias. A barreira para o negócio seguir adiante era o preço. Em março, a Aliansce subiu a oferta, mas novamente foi rejeitada pela BRMalls.

Esses fatores colocam pressão sobre a Aliansce para chegar à assembleia de acionistas da BRMalls com uma proposta assertiva, de fato, e não contaminada por dúvidas. 

A Aliansce tem o apoio de acionistas minoritários, entre os quais Truxt, Miles e Oceana,  mas ainda sem atingir uma base forte o suficiente para garantir a aprovação da transação com a BRMalls.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.