BTG Pactual/ Divulgação
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BTG Pactual compra dona da Empiricus e acirra 'guerra' por investidores

Décima compra do banco visando o fortalecimento de sua plataforma digital tem valor mínimo de R$ 690 milhões; acordo inclui também os sites 'Money Times' e 'Seu Dinheiro', além da gestora Vitreo

Fernanda Guimarães e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2021 | 08h48
Atualizado 31 de maio de 2021 | 19h54

Em disputa acirrada para ganhar mercado em meio ao crescimento do número de investidores pessoa física no Brasil, o BTG Pactual anunciou a compra da Universa, dona da casa de análise Empiricus e da gestora Vitreo, por R$ 690 milhões. Desse montante, R$ 250 milhões serão pagos em ações do banco, que hoje vale cerca de R$ 143 bilhões na Bolsa brasileira. O valor da transação poderá subir, uma vez que o acordo prevê o cumprimento de metas de desempenho em até quatro anos pela Universa.

Essa foi a décima aquisição feita pelo BTG para dar musculatura à sua plataforma digital. Com uma oferta de ações na rua, a terceira em menos de um ano e que poderá garantir cerca de R$ 3 bilhões no caixa da instituição, o banco deverá também seguir agressivo na estratégia de comprar participação minoritária em escritórios de agentes autônomos e dar suporte para aqueles que têm o desejo se de tornarem corretoras.

O BTG ainda não abre os números de sua unidade de varejo digital, mas o desempenho das captações do banco evidenciam o crescimento. No primeiro trimestre, por exemplo, registrou recorde, com R$ 76 bilhões de entrada de recursos. A Vitreo agregará ao BTG mais R$ 11 bilhões que detém sob custódia. 

Já a Empiricus, pioneira em vender relatórios com sugestões de investimentos para pessoas físicas no Brasil e que ganhou fama pelo seu marketing agressivo, tem atualmente 425 mil clientes, com muito espaço para crescimento. Isso porque hoje, no Brasil, há 3,5 milhões de investidores no mercado de ações. 

Na transação, os sócios-fundadores da Empiricus – Felipe Miranda, Caio Mesquita e Rodolfo Amstalden, além de George Wachsmann, da Vitreo – se tornarão sócios do BTG. 

As empresas terão gestão independente, segundo o banco. A aquisição agora precisa passar pelo aval dos reguladores – Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Banco Central (BC)

Impulso

O presidente da Empiricus, Caio Mesquita, afirmou ao Estadão que a companhia decidiu buscar, inicialmente, um acionista minoritário, mas a oferta do BTG acabou interessando aos sócios. “Com o BTG, manteremos nossa autonomia, estabeleceremos metas e contaremos com um banco forte e capitalizado, que poderá fazer os investimentos necessários para a nossa expansão”, disse Mesquita. 

Segundo o executivo, antes de bater o martelo com o BTG, as negociações incluíram dois fundos de private equity (que compram participação em companhias) e um banco, mas não abriu os nomes. A Lazard atuou como assessor financeiro da Empiricus na transação. 

A Empiricus e o BTG sempre foram companhias muito próximas – a casa de análise era locatária do BTG de seu escritório na Faria Lima. Além da Empiricus e Vitreo, a empresa também é dona de dois sites de notícias, Seu Dinheiro e Money Times.

“O negócio é resultado de um relacionamento de longo prazo e construído com base no respeito e na admiração mútua, mas somente recentemente começamos a falar sobre parcerias e outras alternativas mais concretas”, disse, em nota, o sócio responsável pela plataforma digital do BTG, Marcelo Flora. O banco não concedeu entrevista por estar em período de silêncio por conta da oferta de ações a ser concluída na próxima semana. 

Segundo Mesquita, a Universa decidiu que era preciso pensar na perenidade e no crescimento da empresa, mesmo que fosse necessário “sacrificar alguma venda”. Por isso, deixou de lado um pouco da agressividade no marketing. 

Hoje, diz ele, todas as peças publicitárias passem pelo escrutínio da área de compliance. A decisão de alçar voos maiores também pautou a decisão de encerrar uma briga judicial com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No fim de 2019, a empresa aceitou ser regulada pelo xerife do mercado. 

Antes de comprar a Universa, o BTG havia fechado a aquisição da corretora Fator, além de ter atraído grandes escritórios de agentes autônomos antes plugados à XP, caso da Acqua Vero, que tem R$ 8,5 bilhões em carteira. Está em negociação com outro escritório, o Monte Bravo

Contra-ataque

No fim de semana, em um movimento de defesa contra o BTG Pactual, a XP usou a mesma fórmula do concorrente para fidelizar um de seus principais escritórios plugados, a Gaúcha Messem Investimentos. Pelo acordo, a XP apoiará a intenção da Messem de se tornar corretora, da qual se tonará acionista minoritário.

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