Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

BTG conversa com fundo russo para tentar consolidar ativos de Oi e TIM

Banco de André Esteves busca alternativas para operadora brasileira, que está endividada, na tentativa de fazer uma fusão com a operadora TIM; há conversas em andamento com o fundo LetterOne (L1), do bilionário russo Mikhail Fridman

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 05h00

O BTG Pactual intensificou conversas com investidores para tentar acelerar o processo de consolidação da Oi, que está altamente endividada e busca uma saída para seu negócio. O fundo LetterOne (L1), do bilionário russo Mikhail Fridman, que tem participações em empresas de telecomunicações na Europa, foi um dos que se aproximaram do banco para avaliar a possibilidade de investimento na tele, apurou o ‘Estado’.

Ainda não foi apresentada uma proposta formal ao conselho de administração da Oi, que se tornou uma companhia de capital pulverizado. Ou seja, sem a figura de um controlador. No dia 25 de setembro, os membros do conselho da Oi ratificaram o BTG, também sócio relevante da Oi, como assessor financeiro, responsável pela busca de soluções para a companhia.

Se as negociações com o fundo do bilionário russo avançarem, os planos são tentar promover um processo de consolidação dos ativos da Oi e da TIM, controlada pela Telecom Itália, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto. 

“Há várias alternativas em curso, mas nada fechado ainda. Entre elas, pode-se juntar os ativos móveis das duas operadoras (Oi e TIM)”, disse ao Estado uma fonte familiarizada com o assunto. “O banco foi procurado também por investidores institucionais da operadora”, disse outra fonte. Oi, TIM e BTG não comentam o assunto. Representantes do fundo LetterOne (L1) não retornaram os pedidos de entrevista.

A entrada de um investidor é considerada vital para a saúde financeira da operadora brasileira, a quarta maior do País, que encerrou o segundo trimestre com dívida bruta de R$ 51,28 bilhões. 

A Oi foi a grande aposta do governo para ser a “campeã nacional” das telecomunicações, que teve forte apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). Depois de anunciar a fusão com a Portugal Telecom (PT), em outubro de 2013, os planos da companhia, que pretendia ser uma das maiores operadoras do País com visibilidade no exterior, desandaram. O que se viu pela frente foi um verdadeiro desmanche, que teve início com o calote de € 897 milhões da holding Rioforte, da família Espírito Santo, dona do Banco Espírito Santo e da Portugal Telecom (PT).

No início deste ano, os ativos da PT em Portugal, que pertenciam à Oi, foram vendidos para a francesa Altice por € 5,8 bilhões. Os ativos da PT em Angola também estão à venda e um rearranjo deve ser feito com acionistas da Unitel, entre eles Isabel do Santos, filha do presidente Angola, apurou o Estado

Alternativas. Desde agosto do ano passado, o BTG busca alternativas para consolidar a Oi. O banco colocou dinheiro na companhia por meio de um dos seus fundos, o Caravelas, e está entre os três maiores acionistas da operadora, com cerca de 7% (o BTG tem 3,5% do total), ao lado do BNDES e do fundo de pensão canadense dos professores de Ontário. O maior acionista individual é o Pharol (que reúne os acionistas da PT SGPS).

As conversas com o fundo de Fridman ocorrem há alguns meses. Em abril, o fundo do bilionário russo LetterOne informou ao mercado que tem US$ 16 bilhões para investir em empresas de telecomunicações, tecnologia e também de óleo e gás. 

Fontes próximas à operação afirmam que a entrada do investidor russo está ligada ao processo de consolidação com a TIM. O fundo faria um aporte, via aumento de capital, ou uma emissão de ações para que as duas operadoras combinem ativos em condições que a Oi não fique em desvantagem.

Mais conteúdo sobre:
Oitelecomunicaçõesnegócios

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.