Marcelo Del Pozo|Reuters
Marcelo Del Pozo|Reuters

BTG e Equatorial Energia oferecem R$ 1 bilhão por ativos da Abengoa

Empresa espanhola era vista como estrela do setor elétrico no Brasil, mas enfrentou dificuldades e deixou obras inacabadas, incluindo ‘linhão de Belo Monte’; segundo fonte, associação terá Equatorial como majoritária, mas banco poderá ter fatia de até 49%

André Borges, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2016 | 06h00

BRASÍLIA - A empresa Equatorial Energia se uniu ao banco BTG Pactual para comprar os ativos que a empresa espanhola Abengoa detém no Brasil. A proposta é formar uma sociedade, na qual a Equatorial seria majoritária e o BTG ficaria com algo entre 40% e 49%. Conforme apurou o ‘Estado’, Equatorial e BTG apresentaram uma proposta formal para aquisição da nove concessões de linhas de transmissão que foram assumidas pela Abengoa no Brasil, após a empresa vencer uma série de leilões realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estão com as obras atrasadas.

O valor global oferecido pelos ativos é de pouco mais de R$ 1 bilhão. Desse total, R$ 277,2 milhões referem-se à aquisição total de todas as sociedades que a Abengoa detém nos empreendimentos. Outros R$ 724,7 milhões estão relacionados a saldos devedores de projetos em fase pré-operacional da Abengoa, ou seja, dívidas que a companhia acumula no País. A data base da proposta comercial é 31 de dezembro de 2015.

As negociações com a Abengoa estão avançadas, com previsão de que a Equatorial e o BTG deem início ao processo de due diligence dos ativos, para passar um pente-fino administrativo, contábil e financeiro nos projetos da companhia.

Questionada sobre as informações, a Abengoa não se manifestou até o fechamento desta reportagem. A Equatorial declarou apenas que “está sempre atenta às oportunidades de mercado”. O BTG Pactual não quis comentar o assunto.

O interesse pelos ativos da Abengoa já havia envolvido empresas como a chinesa State Grid, que também constrói uma linha de transmissão para a hidrelétrica de Belo Monte, e a canadense Brookfield, empresa de investimento que tem atuado no setor elétrico.

‘Estrela’. Em 2013, a Abengoa chegou a ser alçada a uma das estrelas do setor elétrico brasileiro, vencendo leilões de transmissão com ofertas agressivas de mercado. Desde o ano passado, porém, mergulhada em dívidas, a empresa entrou em processo de recuperação judicial e hoje tira o sono do setor elétrico, que busca uma saída para contornar problemas decorrentes de todos os atrasos dos projetos assumidos pela empresa.

Dentro da carteira de projetos da Abengoa está o chamado “linhão pré-Belo Monte”, projeto de 1.854 km de extensão, estimado em R$ 1,3 bilhão e que foi vencido no fim de 2012 pela empresa espanhola.

Hoje, segundo informações da área de fiscalização da Aneel, este projeto, que tinha de ser concluído em fevereiro deste ano, não tem data prevista para ser concluída. Já são mais de 1.100 dias de atraso em relação ao cronograma previsto em contrato.

Disputa. Além da possibilidade de ser sócio da Equatorial nos ativos da Abengoa, o BTG é hoje um credor da empresa e tenta reaver com os espanhóis um prejuízo de R$ 375 milhões, decorrente de uma operação de crédito realizada para bancar as obras da linha de Belo Monte.

A Abengoa, conforme noticiou o Estado em fevereiro, pegou dinheiro emprestado para construir a linha. O banco fundado por André Esteves fez um empréstimo de R$ 300 milhões, em março de 2013, para o grupo espanhol.

Tratava-se de um empréstimo transitório, conhecido como “ponte”, que foi concedido até que o financiamento de longo prazo fosse liberado. Mas, em março de 2015, quando houve o primeiro vencimento da dívida, a empresa pediu mais prazo. O BTG estendeu o pagamento para janeiro de 2016. A dívida estava em R$ 375 milhões quando deixou de ser paga.

Sem receber, o banco partiu para um processo na Justiça paulista, no qual acusa o grupo espanhol de esvaziar seu patrimônio no Brasil para tentar salvar as atividades da empresa na Europa.

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