Divulgação
Divulgação

BTG reduz participação em empresa operadora de transporte marítimo

Banco de André Esteves tem se desfeito, nos últimos meses, de fatias em empresas nas quais tem participação por meio de seu braço de private equity; saída de negócios problemáticos poderá ser acelerada, mas banco lucra com empresas resilientes à crise

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2015 | 05h00

O BTG Pactual, por meio de seu braço de private equity (que compra participações em empresas), está saindo aos poucos de companhias em que investiu. O banco chegou a um acordo com os acionistas da Bravante (ex-Brasbunker), operadora de apoio marítimo para plataformas de petróleo, reduzindo sua participação de 47% para cerca de 10%. O advogado Fábio Carvalho, presidente da varejista carioca Casa & Vídeo, tornou-se sócio da companhia. 

Pelo acordo, a família Nascimento, que hoje é a maior acionista da Bravante, fica com 50% do negócio. Os outros 50% ficarão com um conjunto de acionistas - o fundo de private equity administrado pelo BTG, o FIP Brazil Oil & Gas e Carvalho. O empresário, especializado em reestruturação de empresas, com passagem pela consultoria Alvarez & Marsal, e sócio da Casa &Vídeo, com 49% do negócio, deterá 66% do total do conjunto de acionistas, apurou o Estado. O valor do negócio não foi divulgado.

Quando o BTG anunciou, nos últimos meses, que iria diluir sua participação na Bravante, empresa que também atua no setor de transporte marítimo de combustível, a família Nascimento não digeriu bem a saída do banco, que entrou em 2010 como investidor na empresa. Após intensas negociações, esse acordo foi fechado. A Bravante, assim como muitas empresas que atuam no segmento de óleo e gás, passa por um momento delicado. Endividada, a companhia precisa de uma ampla reestruturação de seus negócios, segundo fontes. 

Fábio Carvalho, um dos responsáveis pela reestruturação da Casa & Vídeo (empresa que entrou em recuperação judicial em 2009 e teve problemas com a Polícia Federal em 2008 por sonegação fiscal), tornou-se sócio da Casa & Vídeo depois de tirar a empresa da lona. Muito próximo ao BTG, agora Carvalho, como sócio, tem o desafio de reestruturar a Bravante. Fontes afirmam que ele terá muitos problemas pela frente. 

Procurados, BTG e Carvalho não comentam o assunto. Nenhum porta-voz da Bravante retornou os pedidos de entrevista.

Revisão de estratégia. Nos últimos meses, o BTG tem adotado a estratégia de sair de algumas das empresas em que investiu - em parte para realização de lucro, como foi o caso da Rede D’Or, que teve a injeção de R$ 1,7 bilhão do fundo americano Carlyle e outros R$ 3,2 bilhões do fundo soberano GIC, no primeiro semestre deste ano. No fim do ano passado, o fundo de participações do banco também vendeu sua fatia em uma concessionária espanhola de túneis à empresa francesa de private equity Ardian por ¤146,45 milhões. 

Por outro lado, segundo fontes, o banco de André Esteves quer tirar o pé de empresas consideradas problemáticas. A Bravante é o caso mais recente, uma vez que sofre com a crise do setor de óleo e gás, agravada com a Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás.

Neste ano, o banco contratou a consultoria de Enéas Pestana, ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar, para reestruturar duas de suas grandes apostas - a BR Pharma, terceira maior rede de farmácias do Brasil, e a Leader, varejista voltada para a classe C. O banco não descarta vender uma parte ou sair desses dois negócios no futuro. 

O banco também estaria tentando encontrar uma solução para a Estre Ambiental, de tratamento de resíduos, que tem problemas financeiros. 

Na endividada Oi, quarta operadora de telefonia do País, na qual fez aporte em 2014, o banco conseguiu diluir sua participação neste semestre, quando a companhia se tornou uma empresa de capital pulverizado. Mas ainda está em busca de um sócio estratégico para sair de vez do negócio. O Estado apurou que há conversas em andamento com o fundo russo LetterOne. 

O banco, por meio de sua área de “merchant banking”, que administra participações em empresas, fez pesadas compras entre 2010 e 2012, com o crescimento do consumo no País. 

Mudanças no Itaú. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, Jean-Marc Etlin, vice-presidente do Itaú BBA, anunciou sua saída do banco de investimento por motivos pessoais. Com uma trajetória de 20 anos em bancos de investimento, Etlin teve passagens pelo JP Morgan e pelo UBS. O executivo, que foi responsável pela estruturação do Itaú BBA a partir de 2005, deverá permanecer no cargo até o fim do ano. Procurado, o banco não informou quem deverá substituí-lo. 

Fontes afirmaram ao Estado que Etlin já tinha tomado essa decisão em fevereiro e conversado com cúpula do banco. 

O Itaú BBA está entre os mais atuantes no País em processos de fusões e aquisições. Com a crise, o volume dessas operações tem registrado queda expressiva de forma geral. O banco pretende expandir sua atuação para países latino-americanos, mas vê o Brasil como principal mercado na região.

Mais conteúdo sobre:
negóciosbtg

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.