Bunge critica protecionismo no setor de commodities

O uso de iniciativas comerciais protecionistas pelos principais países exportadores de commodities agrícolas distorce as dinâmicas do mercado mundial e, no longo prazo, criará grandes problemas para segurança alimentar, informou hoje Carl Hausmann, executivo sênior da trading internacional de grãos Bunge. A corrida para empregar tais medidas pode refletir boas intenções, mas raramente alcançam o que deveriam, disse Hausmann, durante conferência agrícola.

GABRIELA MELLO, Agencia Estado

21 de junho de 2011 | 10h53

"Medidas comerciais protecionistas têm efeitos de ondulação que são extremamente prejudiciais. Tais iniciativas podem ganhar pontos dentro de casa, mas globalmente criam grandes ameaças à segurança alimentar agora e no longo prazo", afirmou.

O governo russo impôs uma proibição dos embarques de grãos entre 15 de agosto de 2010 e 30 de junho deste ano, após uma severa estiagem ter reduzido a colheita local. A safra doméstica caiu para 60 milhões de toneladas, segundo projeções do Ministério de Agricultura da Rússia, bem abaixo dos 97,1 milhões de toneladas no ano anterior.

"A decisão do governo russo de impor um embargo às exportações de grãos foi um dos principais fatores que contribuíram para alta os preços neste ano. É de algum modo uma política caprichosa", acrescentou Hausmann.

Os preços dos grãos subiram para máximas recordes em 2011, motivados pela proibição dos embarques da Rússia e por condições climáticas desfavoráveis ao cultivo das safras em todo o mundo ocidental. O executivo da Bunge afirmou que o setor agrícola internacional deve se voltar para as forças de oferta e demanda que regem o mercado.

Até 2050, a produção mundial de alimentos precisará aumentar 70% para alimentar uma população ainda maior e que vive cada vez mais em áreas urbanas, disse o executivo. "Na medida que a urbanização aumentar nas próximas décadas, os padrões de consumo alimentar devem certamente mudar e crescer", completou. As informações são da Dow Jones.

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