Bunge pretende expandir lucro de operações no Brasil

A companhia norte-americana Bunge tem muitos planos para sua atuação no setor de açúcar e etanol. Este segmento, cujas operações se baseiam principalmente no Brasil, inclui negócios com produção de açúcar, processamento, negociação e comércio, assim como produção de etanol. A Bunge prevê que sua unidade no Brasil, que responde por menos de 10% da receita líquida com vendas, eventualmente vá corresponder ao tamanho de sua divisão de agronegócios, seu maior componente. A meta é ambiciosa e o início do plano tem sido lento.

FILIPE DOMINGUES, Agencia Estado

29 de junho de 2011 | 19h44

Em 2010, a divisão de agronegócios correspondeu a 65% das vendas de US$ 45,7 bilhões da companhia para clientes externos, ante menos de 10% para a de açúcar e bioenergia. No entanto, executivos dizem que açúcar e bioenergia é o componente com o maior potencial de crescimento. Analistas concordam que há um potencial significativo no setor, por causa do aumento da demanda por adoçantes e etanol de açúcar. "O sonho é certamente alcançável", disse o analista Robert Moskow, do Credit Suisse.

Em entrevista nesta semana, o diretor de gerenciamento da Bunge para açúcar e bioenergia, Ben Pearcy, enfatizou a meta. "Trata-se de uma expectativa de longo prazo", ponderou. A Bunge é conhecida principalmente por suas operações com comércio e processamento de grãos, que compõem a divisão de agronegócios. Seu lucro no primeiro trimestre mais do que triplicou com forte demanda para exportação e apertada oferta global de grãos, que impulsionou as operações do agronegócio.

Os negócios com açúcar e bioenergia são considerados uma "extensão natural" da Bunge, dado seu alcance global no processamento e no transporte de grãos, segundo Moskow, que tem uma perspectiva positiva para a companhia. Ele prevê que o poder de lucro da Bunge (capacidade de transformar investimentos em lucro) chegará mais perto de US$ 8 por ação em alguns anos, bastante acima do US$ 1,49 por ação registrado no primeiro trimestre. Isso ocorreria principalmente ao tornar lucrativas as operações com açúcar.

A Bunge aumentou sua participação em negócios de açúcar e etanol no início de 2010, quando comprou cinco usinas da Usina Moema Participações, no Brasil, por US$ 1,5 bilhão. Antes do acordo, a Bunge já tinha três usinas no País. Também iniciou um programa de plantio para garantir que os produtores cultivem cana-de-açúcar suficiente para fazer as usinas funcionarem com capacidade total no ano que vem. "Queremos construir uma posição no topo da indústria brasileira de processamento de cana", avisou Percy. As informações são da Dow Jones.

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