Burger King compra rede canadense e vira o 3º fast-food do mundo

Empresa controlada pela 3G Capital, do bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann, pagou US$ 11,5 bilhões pelo negócio, mas vai economizar impostos ao transferir sede para o Canadá

Reuters

26 de agosto de 2014 | 11h32

O Burger King anunciou nesta terça-feira planos para comprar a rede canadense de lojas de café e donuts Tim Hortons por US$ 11,5 bilhões (ou US$ 12,61 bilhões de dólares canadenses), num acordo em dinheiro e ações para criar o terceiro maior grupo mundial de restaurantes de fast-food.

Com vendas anuais combinadas de cerca de US$ 23 bilhões, mais de 18 mil restaurantes em 100 países e duas marcas fortes e independentes, a nova companhia terá uma ampla presença global e um potencial significativo de crescimento, disseram as companhias em um comunicado.

As companhias tinham dito no domingo que estavam em conversas para uma fusão, o que fez com que as ações de ambas saltassem na segunda-feira.

O negócio marca a mais recente ofensiva no mundo dos negócios da 3G Capital, holding de investimentos sediada em Nova York que controla o Burger King. A 3G é liderada pelo bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann e tem ainda como co-fundadores Carlos Alberto Sicupira, Marcel Hermann Telles e Roberto Thompson Motta.

Pelos termos do negócio anunciado nesta terça, os acionistas da Tim Hortons receberão 65,50 dólares canadenses em dinheiro e 0,8025 ação na nova companhia por cada um de seus papéis. Com base no fechamento na segunda-feira, o acordo coloca o preço do papel da Tim Hortons em 94,05 dólares canadenses, um prêmio de quase 37% sobre o valor no encerramento na bolsa de Toronto na sexta-feira.

Após a transação, a 3G Capital terá cerca de 51% da empresa combinada, contra os cerca de 70% que possui atualmente do Burger King.

Os atuais presidente do Conselho, Alex Behring, e presidente-executivo do Burger King, Daniel Schwartz, terão os mesmos cargos na empresa combinada. O presidente-executivo da Tim Hortons, Marc Caira, será vice-presidente do Conselho.

A companhia terá sede no Canadá, seu maior mercado.

Investidores e especialistas em impostos dizem que o principal motivo para o Burger King mudar seu domicílio para o Canadá é evitar pagar uma tributação dupla sobre os lucros gerados no exterior, como a companhia teria que pagar se continuasse sediada nos Estados Unidos.

O Burger King, no entanto, reiterou que Miami continuará sendo sua casa global, enquanto Oakville, em Ontario, permanecerá como a base mundial da Tim Hortons.

As ações da nova empresa resultante da fusão serão listadas nas bolsas de valores de Nova York e de Toronto.

O Burger King assegurou um total de US$ 12,5 bilhões em dinheiro para financiar a operação, incluindo um pacote de dívida de US$ 9,5 bilhões liderado por JPMorgan e Wells Fargo.

A Berkshire Hathaway, do bilionário norte-americano Warren Buffett, se comprometeu a colocar US$ 3 bilhões para financiar o negócio, mas não terá qualquer função na gestão das atividades, disseram as empresas.

Lemann, o brasileiro mais rico com um patrimônio estimado em quase US$ 23 bilhões pela lista da revista Forbes, começou sua fortuna no setor financeiro. Ele foi um dos arquitetos da fusão entre Antarctica e Brahma para criar a Ambev e então na combinação da cervejaria brasileira com a belga Interbrew em 2004 para dar origem à InBev.

Em setembro de 2010, a 3G comprou o Burger King por US$ 3,3 bilhões. Em abril de 2012, a rede de lanchonetes foi listada na bolsa de valores de Nova York.

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