Cadastro Positivo reduzirá juros do crédito no longo prazo, diz Febraban

Cadastro que premia bons pagadores foi aprovado pelo plenário do Senado na última quarta-feira

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado ,

19 de maio de 2011 | 17h59

A taxa de juros cobrada nas operações de crédito tende a se reduzir no médio e longo prazos, a partir do momento em que entrar em vigor o Cadastro Positivo, prevê o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg. Na última quarta-feira, 18, o plenário do Senado aprovou a medida provisória que cria o cadastro. Demanda antiga da entidade, agora o projeto só depende da sanção da presidente Dilma Rousseff para passar a vigorar e a ancorar as análises de crédito no País.

Para Sardenberg, a taxa juros tenderá a cair porque o prêmio de risco de inadimplência embutido nas operações de crédito será reduzido no médio e no longo prazo. "Não é algo para já", diz o economista da Febraban. Ele lembra que foi demorou algum tempo após a entrada em vigor do crédito consignado e da alienação fiduciária para automóveis para que as taxas começassem a cair. No entanto, de acordo com Sardenberg, o Cadastro Positivo ganha relevância maior ainda quando se parte do pressuposto de que a tendência é de continuidade de crescimento do crédito na participação do Produto Interno Bruto (PIB). "Claro que no curto prazo há uma discussão envolvendo a redução do crédito, passando pela adoção de medidas macroprudenciais, mas a tendência é de crescimento do crédito", avalia.

Tópico importante da reforma microeconômica, o Cadastro Positivo tem como uma das suas principais propostas premiar os bons pagadores de forma a desarticular prática corrente no Brasil na qual bons pagadores acabam absorvendo parte dos juros imposto nas operações de crédito como forma de as instituições financeiras se protegerem dos maus pagadores. A ideia prioritária do Cadastro Positivo, de acordo com Sardenberg, é criar um banco unificado de informações de bons pagadores, bem como a inclusão de dados de novos clientes.

"Na medida em que as pessoas forem entrando no cadastro, vão ficando disponíveis para outros financiadores de crédito várias informações, inclusive os pagamentos contínuos (conta de luz, água e telefone, entre outros), o que para o emprestador é muito positivo", diz Sardenberg. Ele ressalta que a entrada em vigor do Cadastro Positivo deve levantar o interesse das pessoas em montar seus históricos para concorrerem a taxas de juros menores.

O economista da Febraban salienta que não se pode dizer que as taxas de juros são lineares porque, na esteira dos programas de fidelização e de clientes especiais, os bancos acabam concedendo taxas diferenciadas para seus clientes. Mas, de modo geral, as taxas são elevadas tanto para os bons como para os maus pagadores.

Sardenberg recorda seus tempos de diretor financeiro da Nossa Caixa. "Naquele tempo tínhamos taxas menores de juros para os funcionários públicos que tinham suas folhas de pagamento no banco. Ou seja, de alguma forma o Cadastro Positivo já existe", diz ele, acrescentando que agora todas as informações positivas que um determinado estabelecimento financeiro ou do varejo tiver serão disponibilizadas para outros fornecedores de crédito. "Portanto, achamos que o Cadastro Positivo é uma coisa muito boa", diz.

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