Cade não teve informação formal sobre negócio entre Pão de Açúcar e Carrefour

O Cade também disse ainda não ser possível identificar o impacto dessa nova hipótese de fusão entre as companhias

Célia Froufe, da Agência Estado,

28 de junho de 2011 | 12h44

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) alegou há pouco, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda não teve conhecimento formal da possibilidade de negócio entre Pão de Açúcar e Carrefour. "Exatamente por isso é difícil fazer qualquer tipo de análise concorrencial nesse momento. A análise antitruste é muito técnica e é preciso avaliar os mercados", justificou a autarquia por meio de e-mail. A possibilidade da operação, que vinha sendo especulada há alguns meses pela imprensa, foi confirmada hoje, mas precisará passar pelo crivo do conselho administrativo das duas companhias, o que deve ocorrer em até 60 dias.

O Cade também disse ainda não ser possível identificar o impacto dessa nova hipótese de fusão entre o Carrefour e o Pão de Açúcar tendo em vista a apreciação de dois casos envolvendo a rede de supermercados brasileira pelo Conselho. Estão em processo de instrução pelo Cade os negócios entre Pão de Açúcar e Casas Bahia e com o Ponto Frio.

"O SBDC (Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência) tem mostrado ao longo desses anos muita competência e técnica para analisar casos de varejo. No caso em questão, as peculiaridades e características serão estudadas e avaliadas no seu devido momento", trouxe o Cade. 

Setor de varejo

O negócio entre Carrefour e Pão de Açúcar, caso confirmado pelos conselhos de administração das duas empresas, se juntará a uma série de operações no setor de varejo que chega ao Cade para julgamento. Precisam passar pela análise do órgão antitruste fusões e aquisições de companhias que vendem bens duráveis como Ponto Frio e Pão de Açúcar; Casas Bahia e Pão de Açúcar; Ricardo Eletro e Insinuante; Magazine Luíza e Lojas Maia, além de Magazine Luíza e Baú da Felicidade, apenas para citar as de maior impacto.

Além da operação em si e da transformação dessas empresas do varejo em verdadeiras gigantes do comércio em âmbito nacional, o Conselho terá de avaliar os impactos específicos das operações em âmbito regional. Assim como as grandes companhias estão de olho no crescimento da classe média brasileira nas diferentes regiões do País, é justamente para este ponto que o órgão antitruste deverá mirar nessas avaliações.

Os membros do Cade têm demonstrado que estão atentos às consequências dessas operações para a classe mais baixa. No relatório sobre a união entre Sadia e Perdigão (BRF Brasil Foods), por exemplo, o conselheiro Carlos Ragazzo mostrou preocupação com a possibilidade de alta dos preços de alguns produtos que seria gerada com a fusão. "A operação não envolve artigos de luxo. Trata-se de provimento de comida", disse, acrescentando dados sobre a ascensão das classes C e D.

Assim, em vez de observar o negócio apenas sob a óptica dos efeitos em âmbito nacional, será preciso analisar o impacto de cada operação nos municípios onde estão instaladas as lojas dessas empresas varejistas. No caso de grandes cidades, como São Paulo, a exigência de análise pelo Cade poderá chegar à esfera dos bairros. Isso porque o negócio implica em vendas locais. Não se cruza a cidade, por exemplo, para comprar um ferro de passar roupas, como justificou um membro da autarquia no ano passado, ao constatar o número crescente de operações no setor. 

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