Café: abertura de florada deve ocorrer até domingo no sul de Minas

Belo Horizonte, 6 - A abertura da primeira florada nas lavouras de café deverá ocorrer até o próximo domingo, segundo informação de técnicos e cooperativas de produtores. Em algumas regiões será a segunda abertura, induzida pelas chuvas que atingiram as plantações a partir do final de setembro. Este é o caso de Varginha e São Sebastião do Paraíso. Em Guaxupé, no sul de Minas, e na zona da mata, as chuvas que irão provocar as floradas só foram registradas no final de semana passado. Entretanto, conforme explicou o gerente do departamento técnico da Cooxupé, Joaquim Goulart, não há como prever como será o pegamento. "O pegamento irá ocorrer apenas nas plantas que estão com situação de média para boa. Nas ruins, dificilmente as flores irão resistir", informou. Depois das altas temperaturas que foram registradas ao longo dos últimos dois meses, as condições climáticas começaram a melhorar em outubro. Segundo Candiano, o clima está ameno, o que facilita a entrada de novas frentes frias, a chegada das chuvas e o aumento da umidade. Segundo o gerente da Cooxupé, se as condições continuarem estáveis, haverá um bom desenvolvimento dos botões florais. Em caso contrário, a expectativa é de abortamento e a intensificação do estresse das plantas, prejudicando a produção da safra 2005/2006. A falta de tratos culturais aliada à carga alta da safra 2004/05 e à diminuição das chuvas provocaram uma enorme desfolha das lavouras de café, principalmente no sul de Minas e na zona da mata. A expectativa é de uma quebra significativa da produção para a próxima safra, a não ser que os produtores comecem a adotar técnicas que reduzam o nível de debilidade das plantas. Segundo o gerente do departamento técnico da Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), Joaquim Goulart, a entidade realiza um estudo semanal para avaliar a situação das lavouras na zona de abrangência da cooperativa. No último levantamento, de uma área plantada total de 352,6 mil hectares apenas 22% (76,6 mil hectares) estão com bom aspecto e deverão ter boa produção na próxima safra. Outros 32% (114,5 mil hectares) estão com situação média e 46% (161,2 mil hectares) em condições ruins. Um cenário semelhante é observado na região da zona da mata. Segundo o engenheiro agrônomo do Ministério da Agricultura em Viçosa José Leonardo Araújo, da área plantada total, 30% estão em boas condições, 40% em situação regular e 30% não deverá registrar produção em 2005. "As plantas estão com um potencial de crescimento muito pequeno, já que a desfolha foi muito grande este ano", diz Araújo. Com base neste cenário, a orientação de agrônomos e técnicos é de que os produtores priorizem a adubação nas lavouras com melhores condições. Naquelas que estão mais debilitadas, Goulart sugere as podas, cuja forma será avaliada de acordo com a situação do cafeeiro. Assim, os produtores poderão utilizar o decote (com o corte da parte alta das plantas), o esqueletamento ou a recepa. Uma outra alternativa, segundo ele, seria a chamada "safra zero", pela qual o produtor deixa que as plantas em situação pior se recuperem sozinhas e estejam em boas condições de produção em uma safra futura. "Esta técnica diminui os custos para o produtor, principalmente de mão-de-obra", afirma.

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