Café: Brasil tem 4,6 milhões de potenciais consumidores

São Paulo, 18 - O número de brasileiros que tomam café se alterou pouco desde 2003. São hoje cerca de 83,8 milhões de homens e mulheres, acima de 15 anos, em comparação com 83,3 milhões de consumidores em 2003. Mas há um universo de cerca de 4,6 milhões de pessoas, potenciais apreciadores da bebida, que pode ser conquistado pela indústria torrefadora. Esse levantamento faz parte de pesquisa da InterScience, encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A pesquisa foi realizada com 1.460 entrevistados das principais capitais do País e de cidades com menos de 10 mil habitantes. A diretora da InterScience, Ivani Rossi, destaca que o estímulo ao consumo de café começa dentro de casa, pelo sabor. No entanto, verifica-se que a população cada vez mais toma café fora de casa, principalmente em cafeterias, escritórios e restaurantes. Ivani ressalta que é significativo também o interesse do consumidor por produtos diferenciados, como cappuccino, expresso e instantâneo (solúvel). "A indústria precisa estar atenta a essas oportunidades", afirma. Ela acrescenta que "não existe consumidor exclusivo de um só produto, o que contribui para estimular o consumo de café, de modo geral". A diretora salienta que o aumento do interesse pelas formas diferenciadas de apresentação do café é acompanhado de preocupações com a qualidade. "A fidelidade a um produto depende da qualidade e isso é entendido por todas as classes sociais", diz. "Sem prazer, o consumidor deixa de beber uma xícara a mais", acrescenta. Segundo Ivani, o aumento da demanda entre os que já consomem café implica esforço de marketing para divulgar que a bebida socializa e agrega as pessoas. Além disso, deve-se reforçar os atributos de dinamismo do café. "É uma bebida que esquenta e levanta as pessoas", diz. A diretora da InterScience observa que o setor industrial deve atentar para a necessidade de atrair o jovem consumidor, que está esquecido nas estratégias de marketing. "Por que não investir em um produto novo, como o café gelado", questiona. Segundo Ivani, um dos principais obstáculos para o aumento do consumo de café é o preconceito de que seja prejudicial à saúde. Ela diz que o problema já foi constatado pelo setor produtivo, que criou um programa educacional para a comunidade médica. Ivani diz que a população mais velha, a partir dos 50 anos, tem mais chance de receber recomendação médica contra o café, por conter cafeína. "No entanto, há muita desinformação e mistificação", disse. O médico e professor Darcy Roberto de Lima, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que o Grupo Gestor de Marketing, uma iniciativa do governo e da iniciativa privada, vai apresentar dentro de seis meses (provavelmente no início de maio de 2005), o resultado de pesquisa sobre café e saúde entre a comunidade médica do País. "O objetivo é mostrar, principalmente aos médicos, que o café faz bem à saúde", afirma. Roberto de Lima acrescenta que o Brasil está atrasado no sentido de melhor informar a comunidade médica sobre os benefícios do café. Segundo ele, a Federação dos Cafeicultores da Colômbia (Fedecafé) já desenvolve campanha educacional para a classe médica, com apoio do Brasil. O professor acrescentou que a iniciativa está ocorrendo apenas agora no País, por causa da prioridade dada pelo governo na liberação de verba para esse fim. Além disso, a comunidade médica na Colômbia é de apenas 40 mil profissionais, enquanto no Brasil ultrapassa 240 mil. O professor ressalta, ainda, a iniciativa da Fedecafé de se associar à multinacional Kraft Foods, num programa desenvolvido nos Estados Unidos, chamado All Life. O projeto prevê o consumo de café na merenda pelos alunos das escolas norte-americanas. Segundo Roberto de Lima, no Brasil existe um projeto de lei nesse sentido, mas que tramita no Congresso desde 1995.

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