Café: cenário de alta para 2005 está delineado, diz Olegário

Costa do Sauípe, 19 - O diretor do Departamento de Café (Decaf), Vilmondes Olegário, do Ministério da Agricultura, informou hoje que o cenário de alta para os preços do café já está delineado em 2005. Segundo ele, oferta e demanda globais estão se equilibrando. "Nem mesmo uma grande safra no Vietnã, 3 milhões a 4 milhões maior do que no ano passado, será suficiente para compensar a redução da safra brasileira, que este ano foi de 38 milhões de sacas". Olegário disse que a partir de agora, até a colheita da safra brasileira, entre abril e maio, o mercado internacional do produto vai ser nervoso, com flutuações de preço provocadas por especulação. "A projeção da libra-peso de café a 1 dólar no curto prazo não é uma aberração", disse. Ele acrescentou que existem mecanismos que permitirão ao governo se posicionar diante da possibilidade de escassez da oferta, "sem intervir diretamente no mercado"?. Uma das alternativas é a entrada em operação dos contratos de opção de compra dos estoques públicos de café, destinados à indústria nacional. "Está tudo pronto e só não entrou em operação porque o momento, em termos de preço e demanda, ainda não é adequado", observou. Atualmente, o governo realiza dois leilões mensais dos estoques oficiais, totalizando cerca de 90 mil sacas/mês. O próximo, de 50 mil sacas, será dia 24 de novembro. Haverá, ainda, um último, provavelmente no dia 15 de dezembro, mas ainda não está definido o volume. Olegário também comentou o interesse do governo em se desfazer das cerca de 430 mil sacas de café para exportação, vinculadas aos contratos de opção de venda, lançados no ano passado. "Os contratos já cumpriram sua função, sustentando os preços no passado", afirmou. "Não há interesse em ficar com o produto", acrescentou. Segundo ele, a venda do produto vai depender do mercado, "se os preços forem satisfatórios e se houver demanda pelos exportadores". Outro mecanismo que já está definido é a negociação de contratos de opção de venda privado. Mas, por enquanto, está suspenso "porque a iniciativa privada considerou que a entrada em operação do programa no atual momento poderia provocar efeito negativo sobre os preços", observou. O diretor do Decaf afirmou, ainda, que o patrimônio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) está estimado em cerca de R$ 3 bilhões, dos quais R$ 1,2 bilhão está imobilizado em financiamento de curto prazo, R$ 1,2 bilhão em crédito de longo prazo e R$ 600 milhões em estoque de café velho. Outros R$ 150 milhões foram liberados para custeio da safra 2005/06 e, em caixa, há R$ 200 milhões. Vilmondes Olegário participou hoje de palestra no 12º Encontro Nacional da Indústria do Café (Encafé), na Costa do Sauípe (BA).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.