Café: crédito para custeio pode emperrar na safra 2005/06

São Paulo, 21 - A contratação de crédito para custeio de café, com recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), corre risco de emperrar na safra 2005/06. Isso porque resolução do Banco Central (Bacen) 3.230 (de 31 de agosto de 2004) reduz o spread pago pelo Funcafé ao agente financeiro, principalmente Banco do Brasil, em um ponto porcentual, de 5,5% para 4,5%. O deputado Silas Brasileiro (PMDB-MG), coordenador da Bancada do Agronegócio Café na Câmara, em pronunciamento ontem, disse que "como o risco operacional é do banco, a aplicação dos recursos de custeio torna-se inviável com essa taxa de comissão". Brasileiro acrescentou que "o Ministério da Fazenda, sem consultar o gestor do Funcafé, que é o Ministério da Agricultura, por livre iniciativa, resolveu reduzir a comissão do agente financeiro". Pior: a demanda pela contratação de financiamento de custeio deve aumentar a partir deste mês, considerando que o produtor praticamente já encerrou a colheita da safra 2004/05. A taxa de juros dos financiamentos do Funcafé é de 9,5% ao ano. Até o ano passado, o agente financeiro ficava com uma comissão de 5,5% e o restante (4%) voltava para o Funcafé. Em 29 de setembro, o Bacen lançou a resolução 3.239 (reedição da 3.230, de agosto), em que eleva o limite de custeio por produtor para R$ 140 mil, ante R$ 100 mil até o ano passado. Além disso, o limite por hectare passou de R$ 1.200,00 para R$ 1.440,00. Mas a reedição da resolução não trata de mudanças no spread bancário.

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