Café: governo dos EUA apresenta retorno formal à OIC

Londres, 21 - O governo dos Estados Unidos apresentou formalmente hoje ao Conselho da Organização Internacional do Café (OIC) a sua decisão de voltar a ser membro da entidade, depois de 11 anos de afastamento. Em entrevista coletiva na sede da organização, o representante do Departamento de Estado norte-americano, Philip Will, disse que o retorno de seu país à organização depende apenas de uma aprovação orçamentária pelo Congresso norte-americano. A expectativa do governo dos EUA é de que a adesão ocorra até o fim do ano. "Mas a decisão política de retornar à OIC já foi tomada pelo governo", disse Will. "Vamos trabalhar juntos com a OIC para melhorar as condições do setor", acrescentou. Questionado sobre o problema de excesso de oferta do produto no mercado mundial, Will disse que há vários caminhos para se resolver o problema. Ele observou que o governo dos EUA destinou este ano cerca de US$ 57 milhões para auxiliar o desenvolvimento sustentável da produção cafeeira nos países pobres. Além disso, os EUA vão trabalhar com a OIC nos projetos que buscam melhorar a qualidade da commodity comercializada no mundo. Ele deixou claro, no entanto, que os EUA estão retornando à OIC convictos de que a organização não promove mais tentativas de intervenção no mercado para tentar estabilizar os preço. "Essa organização não promove esse tipo de negócio", salientou Will. O diretor executivo da OIC, Nestor Osorio, ressaltou a importância do retorno dos EUA à OIC, considerando que o país é o maior consumidor mundial do produto. Não está claro, porém, quantos votos os EUA terão no conselho da OIC. Atualmente, os países consumidores contam com mil votos, dos quais cerca de 800 são representados pela União Européia. Osorio rebateu a crítica de que concessões teriam sido feitas para atrair os EUA. Segundo alguns críticos, a OIC teria alterado a Resolução 407, que prevê que os países exportadores devem observar um mínimo de qualidade no produto embarcado, com o objetivo de torná-la menos restritiva ao livre mercado. "Rejeito qualquer sugestão de que estamos pagando algum preço pelo retorno dos EUA", disse Osorio. Segundo ele, a Resolução 407 era incompleta e não era clara sobre seus objetivos. Osorio ressaltou, no entanto, que a OIC mantém como uma de suas prioridades o programa de qualidade para o café. Segundo ele, a organização também encara a promoção do consumo como uma de suas áreas principais de atuação. Os EUA foram um dos defensores da criação da OIC em 1963, com a finalidade de melhorar as condições de vida nos países produtores pobres. Em 1993, os norte-americanos decidiram abandonar a organização com o argumento que a OIC queria controlar artificialmente os preços do produto. A reunião ordinária da OIC começou hoje e se estende até a próxima sexta-feira. (fim)

Agencia Estado,

21 de setembro de 2004 | 15h44

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