Café: lote de grãos especiais é vendido por US$ 1.805,50

Costa do Sauípe, 18 - No leilão anual de cafés especiais pela internet, promovido hoje pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês), o lote campeão foi negociado pelo valor recorde de US$ 1.805,50 a saca de 60 kg. O lote é do produtor Joaquim José de Carvalho Dias, da Fazenda Recreio, na região mogiana de São Paulo. O comprador do lote de 27 sacas foi a empresa japonesa Maruyama Coffee. O recorde anterior, verificado no leilão do ano passado, era de US$ 1.699,00 a saca. O preço corresponde a cerca de 20 vezes o valor de mercado de um produto convencional. No mercado interno, a saca de café, de boa qualidade, é negociado a R$ 250, ou cerca de US$ 90,25. Segundo o diretor da BSCA, Silvio Leite, foi recorde também o preço médio dos 36 lotes negociados no leilão. O valor alcançou US$ 673 a saca. No ano passado, o preço médio foi de US$ 400/US$ 410 a saca. "O resultado impressiona", diz Leite. Segundo ele, em recente leilão de cafés especiais na Nicarágua, os preços ficaram próximos dos verificados no Brasil. No entanto, o volume ofertado na Nicarágua era menor, cerca de 20 lotes, sinalizando que, se a oferta no Brasil também fosse menor, as cotações poderiam alcançar níveis ainda mais altos. Silvio Leite diz que o Brasil consolida a posição de grande fornecedor de cafés especiais no mercado mundial. Há pouco tempo, o Brasil era considerado exportador de grandes volumes, mas sem dar prioridade para a qualidade. Estima-se que o Brasil produza cerca de 1 milhão de sacas de 60 kg de café especial. Esse nicho de mercado cresce a uma taxa de 12% ao ano, enquanto o mercado de café commodity acompanha o crescimento da população, a cerca de 1% ao ano. O café especial é considerado uma raridade, por causa das características peculiares de sabor, aroma, entre outros adjetivos, assim como ocorre com o segmento de vinhos.

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