Café: qualidade não deve atrapalhar exercício das CPR's, diz BB

Belo Horizonte, 24 - Desde o início da colheita da safra 2004/2005, produtores e suas entidades alertam para a queda de qualidade provocada pelas chuvas, que duraram muito mais tempo que o normal. A grande maioria dos técnicos acredita em uma redução de volume dos café tipo 6 bebida dura para melhor e mesmo do padrão BM&F e aumento do tipo riado ou rio-zona. O temor que começa a surgir agora no mercado é de que não haja produto suficiente para honrar as Cédulas de Produto Rural (CPR`s) Física, que exigem a contra-entrega de café de melhor qualidade. A possibilidade, entretanto, foi descartada pelo diretor de Agronegócio do Banco do Brasil, José Carlos Vaz. De acordo com ele, apenas em 2004 a instituição movimentou R$ 272 milhões com a negociação de 6,5 mil contratos, a maior parte delas de CPR Física. Os exercícios das cédulas concentram-se nos meses de setembro e dezembro. (Raquel Massote, segue) O diretor de agronegócio do Banco do Brasil, José Carlos Vaz, diz que as Cédulas de Produto Rural (CPR`s) já são responsáveis por 40% dos financiamentos de custeio e comercialização da safra de café. O restante é feito pelas vias tradicionais do crédito rural. No período que antecede a entrega do produto, o Banco costuma montar estruturas para acompanhar a situação da safra. Em caso de queda na qualidade, a orientação aos produtores é buscar alternativas para honrar os compromissos. Entre estas estão as negociações com os compradores dos títulos para que sejam emitidas novas cédulas ou buscar no mercado o café exigido na contra-entrega. De outro modo, o aval da instituição é acionado, os valores contratados são quitados e o cafeicultor cobre a diferença. Vaz admite que em caso de quebra, o mercado se agita e inicia especulações de que os compromissos não serão honrados. "O mercado tem que ter o cuidado para não ser influenciado por este movimento de especulação, mas a visão até o momento é de que os contratos serão cumpridos", afirma. Apesar das garantias, Vaz estima que o volume de comercialização da safra por meio das cédulas já atingiu "uma certa maturidade" e a faixa alcançada em 2004 deverá se manter nos próximos anos. (Raquel Massote, segue) Segundo o superintendente de Mercado Interno da Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), Otto Vilas Boas, o temor de que não haja produto de qualidade suficiente para ser entregue pelos produtores que contrataram as CPR`s não existe. De acordo com ele, os produtores costumam financiar no máximo 30% do total necessário ao custeio por meio das cédulas. Este ano, ele acredita que os produtores terão formas de entregar café com qualidade similar ao exigido nos contratos e compor os estoques, mesmo com o atraso na colheita a queda de qualidade em parte da produção. "Para tudo tem-se um jeito, basta boa vontade para negociar. Mas não há preocupação, porque boa parte dos grandes produtores têm feito investimentos em qualidade", conclui Vilas Boas. (Raquel Massote, fim)

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