Café: safra no Brasil deve indicar tendência do mercado, prevê OIC

Londres, 24 - O diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Néstor Osorio, disse hoje que os preços do café poderão continuar sustentados em níveis mais altos diante do maior equilíbrio entre a produção e consumo mundial previsto para o próximo ano. Segundo ele, um dos principais fatores determinantes dos preços será a próxima safra brasileira de café (2005/2006), que deverá ser inferior à atual, de 38 milhões de sacas de 60 kg. Osorio observou que a cesta média de preços da OIC está hoje em cerca de 64 centavos de dólar, o seu nível mais elevado dos últimos quatro anos. "Em novembro teremos uma melhor indicação da próxima safra brasileira e teremos uma melhor visão para onde o mercado poderá ir", disse Osorio, no encerramento do encontro semestral do conselho executivo da entidade. Ele observou, no entanto, que a expectativa da organização é de que a produção mundial na safra 2005/06 poderá ficar entre 112 e 115 milhões de sacas, enquanto o consumo deverá ficar entre 102 e 105 milhões de sacas. "Se a próxima safra brasileira ficar entre 35 e 38 milhões de sacas, haverá um equilíbrio entre a oferta e demanda", afirmou. "Os países produtores têm estoques de 20 milhões de sacas, os consumidores também, mas ninguém sabe ao certo o quanto desse café é de qualidade, e se esses estoques estão sendo renovados." Questionado sobre estimativas de que a próxima safra brasileira poderá ser inferior a 35 milhões de sacas, Osorio disse que "como sempre acontece, há várias especulações de mercado, mas é preciso esperar as estimativas oficiais". O diretor da OIC acredita que a proporção do café arábica no total de produção mundial poderá crescer um pouco, diante da possibilidade de aumento de produção na América Central e África. "Mas não vejo possibilidade de crescimento da produção do café tipo robusta, acho que ela atingiu um ponto de saturação." Apesar do tom mais otimista do diretor da OIC com as perspectivas dos preços, analistas do setor demonstram um maior ceticismo. Segundo eles, ainda é muito cedo para se prever uma sustentabilidade dos atuais níveis de preços. Eles observam que o excesso de oferta da commodity, em torno de 10 milhões de sacas, aliado aos estoques nos países consumidores, são fundamentos que podem acabar gerando uma tendência de queda. Além disso, os investidores podem aproveitar a recente alta para realizarem lucros, provocando um declínio acentuado nos preços. Eles observam, no entanto, que uma safra brasileira para 2005/06 muito fraca poderia puxar os mercados, mas ainda não há sinais consistentes que sustentem essa previsão.

Agencia Estado,

24 de setembro de 2004 | 16h10

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.