Caixa aumenta reserva contra calotes e lucro desaba 45,9% no 1º trimestre

Em um ano, banco público aumentou em 22,2% o saldo de provisões para devedores duvidosos; lucro líquido somou R$ 838 milhões no período

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 08h35

SÃO PAULO - A Caixa Econômica Federal reportou queda de 45,9% no lucro líquido do primeiro trimestre, para R$ 838 milhões na comparação com o registrado um ano antes, de R$ 1,548 bilhão. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, quando estava em R$ 636 milhões, o lucro cresceu 31,7%.

O saldo de provisões para devedores duvidosos (PDDs) do banco teve aumento de 22,2% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2015, para R$ 34,704 bilhões. Em relação ao quarto trimestre, de R$ 33,881 bilhões, a alta foi de 2,4%.

O reforço em PDDs foi um dos motivos que fizeram o lucro líquido do banco encolher 45,9% nos três primeiros meses do ano. Conforme antecipou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a Caixa provisionou o restante do crédito que concedeu à Sete Brasil no período. 

A Caixa fez um reforço específico de R$ 700 milhões em PDDs no primeiro trimestre por conta do setor de óleo e gás e também outros segmentos com empresas que têm apresentado problema, de acordo com o vice-presidente de finanças do banco, Marcio Percival. "Estamos exatamente em linha com os outros bancos. Nosso resultado seria maior se não fosse provisionamento de R$ 700 milhões. Estamos preocupados com setor de óleo e gás e outros com dificuldade de pagamento", explicou ele, em entrevista ao Broadcast.

A Sete Brasil entrou com pedido de recuperação judicial no dia 29 de abril. O crédito concedido pela Caixa à Sete Brasil corresponde, conforme pedido registrado na 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, a cerca de R$ 1,6 bilhão (US$ 459 milhões).

Apesar do reforço nas provisões, as despesas com PDDs da Caixa foram a R$ 3,809 bilhões no primeiro trimestre, queda de 24,2% em um ano. No comparativo trimestral, houve redução de 3,6%.

O índice de inadimplência do banco público, considerando atrasos acima de 90 dias, foi a 3,51% ao fim de março, queda de 0,04 ponto porcentual ante o quarto trimestre, de 3,55%. Em um ano, quando estava em 2,85%, porém, cresceu 0,66 ponto porcentual. 

Crédito. A carteira de crédito da Caixa ampliada totalizou R$ 684,162 bilhões ao final de março, leve alta de 0,7% em relação a dezembro, de R$ 679,487 bilhões. Em um ano, quando somou R$ 626,809 bilhões, aumentou 9,2%.

Já os ativos totais do banco público foram a R$ 1,242 trilhão no primeiro trimestre, elevação de 15,1% em um ano, quando estava em R$ 1,078 trilhão. Na comparação com o quarto trimestre, quando ficou em R$ 1,203 trilhão, a alta foi de 3,2%.

Em relação ao patrimônio líquido, o banco encerrou março com R$ 62,955 bilhões, alta de 1,0% em um ano e de 0,4% ante o quarto trimestre de 2015. Seu retorno sobre o patrimônio líquido médio foi a 10,27% ao final de março, queda de 3,45 pontos porcentuais em um ano e de 1,16 p.p. no comparativo trimestral. 

As flexibilizações que o banco promoveu na concessão de crédito imobiliário não tiveram reflexo no primeiro trimestre, de acordo com Percival. A participação da Caixa no crédito imobiliário, segmento no qual o banco é líder, caiu para 66,9% ao final do primeiro trimestre, o patamar mais baixo dos últimos anos. No trimestre anterior, estava em 67,2%. Em março de 2015, a participação era ainda maior, de 68,2%.

Na contramão do que fez no ano passado, a Caixa elevou as cotas de financiamento imobiliário. No sistema de financiamento habitacional (SFH), para o setor privado, aumentou de 50% para 70%, enquanto no público foi de 60% para 80%. Já nos imóveis usados financiados pelo sistema financeiro imobiliário (SFI), subiu de 40% para 60% no privado e 50% para 70% no público. Além disso, o banco também passou a financiar a compra de um segundo imóvel nas mesmas condições utilizadas no primeiro.

A carteira de crédito imobiliário da Caixa totalizou R$ 388,941 bilhões no primeiro trimestre, montante 1,2% maior ante os três meses anteriores. Em um ano, o crescimento foi de 9,8%.

O executivo afirmou também que o banco estuda reduzir o ponto do guidance de crescimento da sua carteira de crédito para este ano, de alta de 9,6% para algo entre 7,0% e 7,5%. O intervalo de expansão estimado para os empréstimos divulgado pelo banco público para 2016 é de 7% a 11%.

Aposentadoria. A Caixa seguiu com a política de incentivo à aposentadoria de seus funcionários, adotada no ano passado, durante o primeiro trimestre de 2016, segundo Percival. Como consequência, o quadro de colaboradores do banco público diminuiu em 3,305 mil pessoas (ou 3,3%) ante um ano, para 96,991 mil. Em relação aos três meses anteriores, foi registrada baixa de 467 funcionários.

A política de incentivo à aposentadoria e as medidas que a Caixa adotou para elevar sua produtividade foram as justificativas para que as despesas de pessoal crescessem apenas 1,6% no primeiro trimestre ante um ano, totalizando, R$ 5,0 bilhões, segundo Percival. Em relação aos três meses anteriores, recuaram 8,1% que, conforme destaca a Caixa em seu balanço, é o melhor desempenho dos últimos três anos.

Já os gastos administrativos do banco público tiveram crescimento de 5,9% ao final de março em 12 meses, abaixo da inflação observada no período que ficou em 9,4%, totalizando R$ 2,879 bilhões. Ante dezembro, foi identificada retração de 2,9%.

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