Caixa aumenta teto do financiamento de imóveis usados para 70% do valor total

Além desta medida, banco também anunciou que vai voltar a financiar a compra de um segundo imóvel, nas mesmas condições utilizadas para financiar o primeiro

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2016 | 11h47
Atualizado 08 de março de 2016 | 19h54

Na tentativa de estimular o financiamento imobiliário, a Caixa Econômica Federal anunciou nesta terça-feira, 8, uma série de medidas voltadas ao crédito. A primeira delas se refere ao aumento do teto do financiamento de imóveis usados de 50% para 70% pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), no caso de clientes do setor privado e imóveis de até R$ 750 mil, segundo explicou o vice-presidente de Habitação da Caixa, Nelson Antônio de Souza. Para o setor público, a cota foi elevada de 60% para 80%.

Já os imóveis usados financiados pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) - acima de R$ 750 mil em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal; e de R$ 650 mil nos demais Estados - passarão a ter teto de 60%, dos atuais 40%, para o setor privado. Para o setor público, a cota passou de 50% para 70%. 

Souza disse que dos R$ 16,1 bilhões em fundos aos quais o banco terá acesso em 2016 por meio dos recursos liberados pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), R$ 7 bilhões serão para a linha pro-cotista, R$ 6,7 bilhões para os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e R$ 2,4 bilhões para a linha de operações especiais - destinados à construção civil para produção de imóveis de até R$ 500 mil para pessoas físicas.

Segundo o executivo, as medidas anunciadas visam fomentar a cadeia da indústria de construção como um todo, e nesse sentido, a retomada do financiamento do segundo imóvel é muito importante. Ele destacou também que as decisões tomadas FGTS voltadas à liberação de recursos para financiamento habitacional vêm ao encontro da necessidade de recursos do sistema e da Caixa, que caíram em consequência da desaceleração da poupança. 

Souza apontou que, por exemplo, em termos de captação por meio das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), a Caixa já atingiu seu limite.  "Acreditamos que as medidas atendem a necessidade de funding da Caixa e, por outro lado, por meio disso, podemos manter a participação no crédito habitacional", afirmou em São Paulo durante a divulgação do balanço de 2015 do banco. Os números mostram que a demanda por crédito no banco, tomando por base as consultas feitas por clientes, caiu 27% no ano passado. Na pessoa física, houve retração de 30%.

A mudança nas regras ocorre menos de um ano depois de a Caixa ter reduzido o teto do financiamento de imóveis usados para 50%. Em abril de 2015, a Caixa primeiro anunciou a redução do limite de 90% para 80% e depois diminuiu ainda mais, para 50%. Segundo a presidente da Caixa, Miriam Belchior, a cota de financiamento é o fator que mais impacta a demanda de habitação. 

Segundo imóvel. A Caixa também informou que vai voltar a financiar a compra do segundo imóvel, nas mesmas condições utilizadas para financiar o primeiro. Dessa forma, o cliente poderá ter dois imóveis financiados ou mais tempo para vender o primeiro, destacou a presidente da Caixa. Em agosto do ano passado, a Caixa havia vetado novos empréstimos a clientes que já tinham um imóvel financiado.

Miriam Belchior afirmou que, com todas as medidas anunciadas hoje, deve haver uma elevação de 13% dos recursos destinados ao crédito à habitação, ou R$ 16,1 bilhões. Com isso, a Caixa estima o financiamento de 64 mil unidades adicionais em relação a 2015.

Ela comentou ainda que a Caixa está se preparando para ter mais eficiência e que, nesse sentido, o banco tem cortado custos. "Temos o desafio de tornar a Caixa mais rentável e eficiente", disse. 

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