Cálculo do FMI para dívida não é o mais correto, diz Banco Central

Chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC sustenta defesa do ministro Mantega, que enviou ao FMI um pedido de mudança da metodologia de cálculo da dívida pública do País

Eduardo Cucolo e Célia Froufe, Agência Estado

30 de julho de 2013 | 11h09

BRASÍLIA - O chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou nesta terça-feira, 30, que a metodologia de cálculo da dívida bruta do governo geral utilizada pela instituição é a mais correta. "O BC está seguro de que a forma mais correta para o caso brasileiro é a utilizada pelo BC e não a utilizada pelo FMI", afirmou.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, enviou correspondência este mês à diretora gerente do FMI, Christine Lagarde, pedindo alteração na metodologia de cálculo da dívida bruta brasileira. Pelos critérios oficiais do País, ela fechou 2012 em 58,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Nas contas do organismo multilateral, ela chega a 68% do PIB.

Segundo Rocha, o BC só contabiliza na dívida os títulos da carteira da instituição efetivamente utilizados nas operações compromissadas. Não estão contabilizados os títulos que fazem parte da carteira livre do BC. O FMI, por outro lado, considera todos esses papéis na definição da dívida bruta. "O FMI considera o total de títulos que estão com o BC, quer estejam sendo utilizados quer estejam na carteira livre. É por isso que a dívida é maior no conceito do FMI. É uma diferença conceitual."

Rocha afirmou ainda que a dívida bruta do País vem se reduzindo, quando se considera a trajetória de longo prazo. Disse ainda que, na comparação internacional, o porcentual não é elevado, embora apresente ligeiro aumento no ano. Ele destacou ainda que, mesmo pelo critério do FMI, a conta tem se reduzido, por conta dos resgates de dívida mobiliária do Tesouro.

Questionado sobre o pedido do ministro Mantega ao Fundo, Rocha reafirmou que o conceito do BC é o mais adequado para avaliar o nível e a trajetória da dívida brasileira.

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