Câmara dos EUA aprova pacote para elevar teto da dívida; senado deve vetar

Plano recebeu 218 votos a favor e 210 contra; nenhum democrata foi favorável à legislação e 22 republicanos rejeitaram a proposta

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

29 de julho de 2011 | 23h00

Os deputados republicanos conseguiram superar parte das discordâncias internas e aprovaram o projeto de lei apresentado pelo presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, John Boehner, para reduzir o déficit orçamentário e aumentar o teto da dívida americana, hoje em US$ 14,3 trilhões.

O plano recebeu 218 votos a favor e 210 contra. Nenhum democrata foi favorável à legislação e 22 republicanos rejeitaram a proposta.

A vitória dos republicanos na Câmara, porém, deve ter vida curta, pois o projeto de lei dificilmente será aprovado no Senado, onde a maioria é democrata. Era esperado que os senadores votassem sobre o plano ainda na noite desta sexta-feira, 29. O presidente Barack Obama também disse que, se for preciso, vetará o projeto.

Para alguns analistas, a aprovação do projeto republicano na Câmara destrava as negociações, mas a avaliação é polêmica. Os partidos têm até o dia 2 de agosto para chegar a um acordo.

Twitter. Durante todo o dia, Obama esteve em busca de um consenso. Além de um discurso em rede nacional de TV, o presidente recorreu ao Twitter para elevar a pressão sobre os congressistas de oposição. Obama publicou um a um os nomes, as cadeiras e os contatos no Twitter dos deputados republicanos na Câmara dos Representantes e pediu aos eleitores de cada distrito eleitoral dos EUA que pressionassem os legisladores a adotarem uma solução bipartidária para a elevação do teto da dívida.

"Acabou o tempo de colocar o partido na frente de tudo. "Se você quer um acordo bipartidário, deixe o Congresso ficar sabendo. Ligue, passe e-mail, tuíte.-BO", dizia uma das inúmeras mensagens de Obama.

A proposta de Boehner prevê uma elevação de US$ 900 bilhões no limite de endividamento dos EUA, mas em contrapartida adota medidas para cortar o déficit em US$ 917 bilhões nos próximos dez anos. O aumento no teto da dívida seria suficiente para satisfazer as necessidades de financiamento do governo até fevereiro do ano que vem. A partir desse período, porém, tanto a Câmara quanto o Senado precisarão chegar a um acordo sobre o orçamento para que o limite de endividamento seja elevado novamente. E é isso que Obama quer evitar.

Correndo contra o relógio, Obama mostra-se disposto a comprar a briga com os republicanos da Câmara. Ontem, reforçou sua aposta em um projeto comum dos senadores Harry Reid, líder da maioria democrata, e Mitch McConnell, líder da minoria republicana. Esse texto, em sua avaliação, poderia ser aprovado pelo Congresso e sancionado pela Casa Branca, ao contrário do projeto de Boehner. Reid propôs a elevação de US$ 2,4 trilhões no teto da dívida pública e um ajuste fiscal de US$ 2,2 trilhões em dez anos.

 

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