Camarão/Fritsch: ano eleitoral nos EUA dificulta reversão de taxa

Brasília, 26 - O ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, José Fritsch, admitiu há pouco que é limitada a possibilidade de atuação do governo brasileiro junto ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos para tentar reverter a sobretaxa imposta ao camarão importado do Brasil. O limitador, explicou, é a eleição presidencial americana, marcada para 5 de outubro. "No calor da eleição, é muito difícil reverter a sobretaxa. No pós-eleitoral, a situação será outra. Independente do vencedor da eleição, o novo presidente avaliará que a sobretaxa não tem fundamento técnico", disse. O ministro se reuniu hoje com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, que lidera grupo que está em Brasília para tentar convencer representantes do Executivo e do Congresso Nacional da crise pela qual passará o setor se o governo americano mantiver sobretaxa ao camarão brasileiro. Os exportadores brasileiros são acusados de vender o crustáceo a preços abaixo do custo de produção. A iniciativa privada argumenta que a sobretaxa só beneficiará os pescadores em detrimento de toda a cadeia produtiva dos Estados Unidos. Os americanos importam camarão e faturam muito até a venda ao consumidor final. Rocha calculou que os Estados Unidos gastaram US$ 3,76 bilhões com importação de camarão de vários países no ano passado. Na fase de processamento, esse valor saltou para US$ 12 bilhões. Decisão preliminar do Departamento de Comércio dos Estados Unidos prevê sobretaxa de 12,6% para camarão fornecido pela Netuno, 8,41% para a Cida e 67,8% para a Norte Pesca. Para as demais empresas brasileiras, a sobretaxa é de 23,66%, de acordo com informações da ABCC. A margem definitiva de dumping será divulgada no dia 17 de dezembro. "Da eleição até o final de novembro, temos espaço para uma forte atuação diplomática junto ao governo americano. Vamos negociar de forma política", explicou Fritsch. O ministro ressaltou, no entanto, que o governo seguirá acompanhando de perto o processo movido pelos pescadores americanos contra o camarão brasileiro. Uma das estratégias, disse, é designar "observadores" da secretaria para acompanhar a auditoria que será feita por técnicos do Departamento de Comércio dos Estados Unidos nas três empresas. A idéia é forma uma força tríplice com técnicos da secretaria e dos ministérios das Relações Exteriores e Indústria e Comércio Exterior. (Fabíola Salvador)

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