Caminhoneiros protestam com bloqueio e travam Via Dutra em Barra Mansa

Ambos os sentidos estão obstruídos desde as 16h de domingo. Categoria se manifesta contra falta de segurança nas estradas, preço do combustível e dos pedágios, entre outras medidas da ANTT

Ricardo Valota, Marcelo Portela e Felipe Tau, O Estado de S.Paulo; Tássia Kastner, da Agência Estado ,

30 de julho de 2012 | 08h07

Texto atualizado às 12h25

SÃO PAULO - Um protesto de caminhoneiros que teve início um pouco antes das 16 horas de domingo, 29, no quilômetro 276 da Rodovia Presidente Dutra, em Barra Mansa, causava, um pouco mais de 12 horas depois, 7 quilômetros (km) de congestionamento na pista sentido São Paulo e de 15 km na pista em direção ao Rio.

No sentido São Paulo, altura de Barra Mansa, os motoristas enfrentam fila do km 269 ao 276. No sentido Rio, há 15 km de congestionamento, na altura de Porto Real, entre os km 276 e 292.

Segundo a concessionária NovaDutra, uma faixa de rolamento foi liberada em cada sentido pelos caminhoneiros, que realizam o bloqueio após muita conversa com policiais rodoviários federais. Passam pelo local apenas veículos de passeio, alguns ônibus - entre eles os de turismo - e veículos com cargas perecíveis. Até as 9 horas, os agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentavam convencer os manifestantes a desobstruir por completo a via.

De acordo com a PRF, ninguém foi detido e os manifestantes não deram uma previsão para encerrar o ato. Greves semelhantes ocorrem desde a semana passada em diversas estradas do País.

A categoria protesta contra os baixos valores dos fretes, a falta de segurança nas estradas, o preço do combustível e dos pedágios, a falta de regulamentação da profissão e de uma série de medidas adotadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que "acabaram de vez com a categoria", conforme o presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) em Minas, José Acácio Carneiro. "O trabalhador paga para rodar. É obrigado a aceitar os fretes baixos, senão não tem dinheiro nem para o diesel", afirmou.

Rio Grande do Sul

Também nesta segunda-feira, 30, caminhoneiros autônomos realizaram  protestos em quatro trechos de três rodovias do Estado do Rio Grande do Sul - BR-285, em Ijuí e São Sepé, BR-158, em Júlio de Castilhos, e BR-392, Pelotas. As manifestações causaram interrupção parcial do trânsito no começo da manhã porque, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os caminhoneiros permitiram a circulação de veículos de passeio e bloquearam a estrada apenas para colegas que desejavam seguir trabalhando.

As manifestações em todo o País foram convocadas pelo MUBC na quarta-feira, Dia do Motorista. No Rio Grande do Sul, o MUBC não assume a autoria dos protestos. O bloqueio de rodovias federais no Rio Grande do Sul foi proibido por liminar da Justiça Federal, que estabeleceu multa de R$ 50 mil por hora de rodovia parada.

A greve é um protesto contra regulamentação da profissão que estabelece intervalo de 11 horas de descanso entre jornadas de trabalho, além de paradas de descanso de pelo menos meia hora a cada quatro horas ao volante. Os caminhoneiros autônomos alegam que o descanso obrigatório não é compatível com a profissão de motorista e que nas estradas não há pontos de parada em número suficiente.

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