Marcio Fernandes/Estadão - 25/5/2016
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Caoa manifesta interesse na fábrica da Ford em São Bernardo

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou que mais dois grupos consideram assumir a unidade, que deve ser fechada este ano; sindicalistas vão para os EUA tentar convencer a companhia manter a produção

André Ítalo Rocha e Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2019 | 19h34
Atualizado 27 de fevereiro de 2019 | 12h32

A tentativa de encontrar uma saída para o encerramento da produção na fábrica da Ford em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, mobiliza várias frentes de atuação de governo e sindicatos. Nesta terça-feira, 26, o governador João Doria anunciou que três grupos teriam interesse em assumir a unidade que a montadora americana pretende fechar ainda em 2019.

No fim da tarde, o grupo Caoa, que já têm parcerias com a Hyundai e a Chery, confirmou que está olhando o ativo. A busca de um novo projeto para a fábrica poderia salvar 4,5 mil empregos diretos e indiretos.

Em nota, a Caoa disse que tem “forte parceria” com a Ford há quatro décadas, por ser a maior distribuidora da marca na América Latina. “Dessa forma, é natural que a Caoa e a Ford conversem sobre futuros negócios, assim como ocorre com outras empresas sempre que há uma boa oportunidade”, diz o comunicado. A empresa ressalvou, porém, que até o momento “não há nenhuma definição ou compromisso para a aquisição da planta”.

A Caoa, além de atuar como distribuidora de veículos, é uma fabricante. Em Anápolis, no interior de Goiás, tem uma fábrica que produz veículos da sul-coreana Hyundai. Além disso, comprou em 2017 50% da operação da chinesa Chery no Brasil, que tem uma planta em Jacareí, no interior de São Paulo.

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando, disse estar disposto a conceder incentivos fiscais para atrair o comprador para a fábrica. Uma das possibilidades é oferecer descontos no Imposto Sobre Serviços (ISS). A cidade já concede abatimentos de até 30% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para quem gerar e manter acima de 50 novas vagas.

Na manhã desta quarta-feira, 27, a Ford negou que tenha sido procurada pela Caoa para negociar a fábrica do ABC. "Até o momento, a Ford não teve nenhuma negociação com o grupo Caoa", diz nota da montadora.

Trabalhadores tentam evitar demissões

Em paralelo à busca por novos interessados na fábrica, dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC confirmaram que, no dia 7, serão recebidos por executivos da matriz, nos EUA, e vão apresentar um plano de viabilidade da fábrica. Nesta terça, sob forte chuva, os trabalhadores da unidade fizeram uma assembleia em frente aos portões da Ford.

Em discurso, o presidente do sindicato, Wagner Santana, disse que os trabalhadores não querem fazer papel de corretor de imóvel para vender a fábrica, mais sim mostrar à matriz que a planta é viável. Os operários esperam que se repita o ocorrido em 1998, quando a Ford anunciou 2,8 mil demissões. Na época, após reunião na matriz, a decisão foi suspensa. Cortes ocorreram ao longo dos meses seguintes, por meio de programa de voluntariado (PDV).

Depois da assembleia, os trabalhadores percorreram mais de 8 km até a Prefeitura de São Bernardo. Santana criticou a aprovação, no Programa Rota 2030 no fim do governo Temer, da extensão de incentivos fiscais para a Ford na Bahia. “Os incentivos aprovados e renovados para o Nordeste determinaram o fechamento dessa planta.”

Reestruturação global

A montadora quer concentrar a produção na fábrica baiana, pois alega que ela é mais produtiva e mais lucrativa. É lá que são feitos atualmente os modelos Ka e EcoSport, os mais vendidos da marca, enquanto no ABC são feitos caminhões – segmento em que o grupo vai deixar de atuar – e o Fiesta, que sairá de linha. Santana afirmou ainda que, até o dia 7, serão realizados vários protestos dentro e fora da fábrica, que continuará com a produção paralisada.

A Ford alega necessidade de voltar ao lucro sustentável na América do Sul, onde registrou prejuízos de US$ 4,5 bilhões entre 2013 e 2018. O Brasil é o maior mercado da marca na região. O grupo passa por reestruturação global e nesta terça houve protesto de trabalhadores da fábrica de engrenagens na França, que tem 800 funcionários e também será fechada.

Segundo a montadora, a decisão de encerrar a fábrica de São Bernardo custaria US$ 460 milhões, entre indenizações de funcionários, concessionárias e fornecedores, além da depreciação de ativos.

A montadora anunciou que encerraria a operação na terça-feira da semana passada. Na quinta-feira, executivos da Ford se reuniram com governador João Doria, que após o encontro anunciou à imprensa que ajudaria a empresa a encontrar um comprador. As demais fábricas da Ford seguirão produzindo normalmente, uma de veículos em Camaçari, na Bahia, e outra de motores em Taubaté, no interior de São Paulo.

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