Capitalização da Petrobrás deve ser aprovada até junho, diz Gabrielli

Presidente da estatal admite, no entanto, que terá de encontrar outra forma de realizar a operação caso ela não seja aprovada

Letícia Bragaglia, do Economia&Negócios,

22 de abril de 2010 | 23h00

O presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, acredita que a capitalização da estatal deve ser aprovada em Brasília até meados de junho. Em entrevista ao site Economia&Negócios, Gabrielli admite, no entanto, que terá de encontrar outra forma de realizar a operação caso ela não seja aprovada ainda neste semestre.

 

A demora na aprovação da capitalização preocupa o senhor?

 

Nós precisamos da capitalização porque a relação entre a dívida e o capital próprio da Petrobrás está atingindo, este ano, algo em torno de 32%. Para manter a condição de ‘investment grade’ da companhia é preciso que, no longo prazo, mantenhamos essa relação abaixo de 35%. Como vamos precisar endividar mais a Petrobrás por causa dos grandes investimentos que vamos fazer, aumentar o capital é importante para garantir a manutenção da saúde financeira da companhia. As votações devem ocorrer até o final de maio, voltando à Câmara ainda no final de maio, e, em junho, deve terminar esse processo. Se não for possível realizar a capitalização com a cessão onerosa simultaneamente a ela e, ainda sim, houver a aprovação, nós vamos ter de analisar o que fazer. A capitalização nós vamos ter de fazer. Quanto mais rápido a gente fizer essa capitalização, melhor.

 

O senhor admite que, se a capitalização não for aprovada até junho, a empresa pode ter de rever o plano de investimentos?

 

Eu estou dizendo que nós vamos ter de rever a forma de realizar a capitalização, e não rever o plano de investimentos. O plano de investimentos está sob avaliação agora, mas não em função da capitalização, e, sim, em função de que nós temos muitos projetos bons e precisamos analisar.

 

O senhor falou em fazer essa capitalização de outra forma. Qual seria?

 

Não, eu não vou analisar outra alternativa antes que o Congresso se defina.

 

Está mais difícil nesse cenário controlar o endividamento da empresa?

 

Não é uma questão de controlar o endividamento da companhia. Nós estamos fazendo um investimento de até U$ 174,4 bilhões até 2013. O atual preço do petróleo permite uma geração de caixa muito grande. Mas é impossível a empresa fazer esse volume de investimentos sem se endividar.

 

As ações da Petrobrás sofreram bastante com as incertezas da capitalização. Qual a sua expectativa em relação ao preço dos papéis?

 

Eu não posso falar sobre isso, a Comissão de Valores Mobiliários não permite. O que eu posso dizer é que as ações da Petrobrás crescentemente se associaram à variação do preço do petróleo e se descolaram do funcionamento do mercado brasileiro, já que a Petrobrás hoje é uma empresa muito grande.

 

Qual será o seu destino com o novo governo? Existe a possibilidade de o senhor assumir algum cargo após as eleições?

 

Sou professor da Universidade Federal da Bahia. Esse é o emprego que eu tenho garantido. O que vai acontecer, se eu vou ficar ou não na Petrobrás, não tenho como antecipar, não vou ficar especulando sobre isso. Estou cuidando nesse momento de finalizar a revisão do plano estratégico, viabilizar a capitalização e preparar a Petrobrás para desenvolver o pré-sal.

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