Reprodução Estadão
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'Existe um descompasso entre o Brasil e o mundo nos investimentos em ESG', diz BlackRock

Carlos Takahashi​, chairman da gestora no País, ​participou do Summit ESG 2022, evento organizado pelo Estadão

Lucas Agrela, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2022 | 11h16

Apesar do aumento do volume e da oferta de produtos financeiros associados às práticas ESG (sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança) nos últimos anos, Carlos Takahashi, chairman no Brasil da BlackRock, maior gestora de recursos do mundo, acredita que ainda exista um atraso do País nesse tipo de investimento em relação a outros mercados. 

"Ainda temos um descompasso entre o que temos no Brasil e no mundo em termos de volume [de investimentos em ESG]. Na Europa, até 40% dos investimentos vão para ESG. Nos Estados Unidos, ainda que o volume seja menor, há uma velocidade de crescimento bastante acentuada. Há um evidente interesse dos investidores", afirma Takahashi, que fez a palestra de abertura do terceiro dia do Summit ESG, realizado pelo Estadão.

O chairman da BlackRock ressaltou que os investimentos dos brasileiros em produtos da gestora ligados ao ESG mantêm um percentual significativo desde o começo da negociação de ativos na bolsa de valores brasileira. No País, a gestora oferece BDRs (Brazilian Depositary Receipts, títulos que equivalem a ativos internacionais) de seus ETFs (Exchange Traded Funds, fundos que replicam carteiras e rentabilidades de índices). 

Para o executivo, ainda que os volumes de investimentos em ESG sejam pequenos no Brasil, chama a atenção o crescimento tanto de produtos nesse mercado quanto do volume nos últimos três anos. 

"Lançamos no Brasil os BDRs de ETFs globais. Trouxemos uma variedade de EFTs a partir de 2021 para o País, listados na bolsa de valores. Nos seis primeiros meses, tivemos um crescimento bastante relevante e alcançamos algo como 40% das transações realizadas exatamente de um ETF ESG global. Esse percentual, ainda que tenha reduzido um pouco em função do crescimento de outros BDRs, oscila na casa dos 30%. De alguma maneira, isso ainda demonstra que há interesse das casas e dos investidores nesses investimentos em ESG", disse Takahashi.

Segundo pesquisa realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), divulgada no começo do ano, a sustentabilidade é parte essencial do desenvolvimento da divulgação de produtos para apenas 18% dos entrevistados.

Transição gradual

Com US$ 10 trilhões de ativos sob gestão, a BlackRock tem um papel importante em estimular a migração de empresas do uso de combustíveis fósseis para energias mais limpas, como fotovoltaica, eólica e elétrica. No entanto, a transição para a Net Zero requer investimentos estimados em US$ 130 trilhões e deve ser completada em 2050.

Dada a complexidade dessa mudança de matriz energética, ela não pode ser abrupta, na visão de Takahashi. "A transição para o ESG é urgente e precisamos começar o quanto antes. Em segundo lugar, ela tem várias etapas. Não podemos desconectar de uma fonte de energia e ir para a outra, porque isso pode ter efeitos que não são positivos. A transição precisa navegar pelos diferentes tons de marrom até chegar ao verde", diz.

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