Carnes: Brasil deve exportar US$ 700 milhões para Rússia este ano

Genebra, 13 - Apesar das cotas impostas pelas autoridades russas às carnes brasileiras, os exportadores nacionais estão conseguindo driblar as barreiras e manter sua participação no mercado russo. Representantes do setor exportador de carnes afirmam que o ano deve fechar com exportações em torno de US$ 700 milhões ao mercado russo. Caso as cotas estivessem sendo aplicadas de forma integral, as vendas não chegariam a US$ 400 milhões. Na terça-feira, o vice-presidente José Alencar esteve reunido com representantes russos para tratar do tema e, apesar de apresentar os argumentos brasileiros, Moscou não cedeu e continuará a aplicar cotas que desfavorecem o Brasil. O sistema de cotas foi estabelecido pelo Kremlin e serve para dividir seu mercado entre os principais fornecedores estrangeiros nas negociações para a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC). O problema é que, no caso das exportações de frango, o Brasil poderia ocupar no máximo 30% das cotas dadas pelos russos. 70% seriam divididos entre americanos e europeus. Apenas no primeiro semestre do ano, porém, as vendas de frango do País já chegam perto de US$ 100 milhões e a tendência é de que o Brasil termine o ano ocupando 60% das cotas. De acordo com especialistas que conhecem o funcionamento do intercâmbio comercial entre Brasil e Rússia, o "drible" sobre as cotas está ocorrendo graças a um entendimento entre as empresas exportadoras do Brasil e importadoras russas. As companhias em Moscou estariam fechando contratos com empresas americanas onde existem problemas sanitários e, diante da impossibilidade de importar essas regiões, acabam justificando às autoridades russas a compra de carne brasileira, que tem melhores preços. Situações similares acabam sendo registradas na carne bovina e suína. No setor da carne bovina, as exportações nacionais tiveram um aumento de 140% neste ano e, entre janeiro e junho, as vendas totais do País superaram a marca de US$ 800 milhões, um aumento de 9% em relação a 2003. O problema virá quando a Rússia for aceita na OMC. Dentro da entidade, a administração das cotas deverá ocorrer de acordo com as regras internacionais. Segundo Pedro de Camargo Neto, ex-secretário de produção e comercialização do Ministério da Agricultura no governo Fernando Henrique, e que acompanhou a missão de Alencar a Moscou, se as barreiras não existissem, o Brasil poderia passar a exportar, em breve, US$ 2 bilhões em carnes para a Rússia. Em Moscou, o setor de carnes nacional é representando por Iuri Ribeiro Prestes, filho de Luis Carlos Prestes.

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