Carnes: Brasil volta a negociar com russos retirada de embargo

Genebra, 30 - O governo brasileiro faz amanhã (1) mais uma tentativa para convencer os russos a modificar as condições de acesso à carne do País naquele mercado. Diplomatas brasileiros vão se reunir em Genebra com representantes do Kremlin e, mais uma vez, vão insistir na necessidade de uma solução para as barreiras enfrentadas pela carne nacional. Os russos chegaram a afirmar que o Brasil está "perdendo tempo" ao insistir nesse ponto e que as queixas do País já estavam parecidas ao som de uma balalaica, instrumento russo com um som estridente. Para diplomatas brasileiros, "a balalaica continuará ser tocada". Há uma semana, representantes do Ministério da Agricultura estiveram em Moscou e apresentaram argumentos contra as barreiras fitossanitárias impostas pela Rússia. A reunião, porém, não solucionou o caso. Em Brasília, os técnicos estão cada vez mais convencidos de que o embargo russo tem uma relação direta com as negociações para a entrada de Moscou na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil se queixa de que as cotas destinadas ao País para as exportações de carne são insuficientes. Para que a Rússia seja admitida na entidade, precisará fechar acordos comerciais com todos os membros e, no caso das carnes, Moscou optou por estabelecer uma cota e dividi-la entre os países fornecedores. Os brasileiros se queixam de que 90% da cota foi destinada aos Estados Unidos e à União Européia (UE). A idéia do Kremlin é de que as cotas vigorem até 2009, quando seriam renegociadas. No caso da carne de frango, o Brasil terá que competir com outros fornecedores para preencher uma cota equivalente a 30 mil toneladas por ano. O problema é que, em 2003, as exportações brasileiras à Rússia atingiram 200 mil toneladas de carne de frango. Situação similar vive os setores de carne bovina e suína. Na reunião que ocorre na OMC, o Brasil promete voltar a atacar a divisão das cotas feitas pelos russos, deixando claro que o País não aceitará a barreira. O acesso ao mercado russo para outros produtos agrícolas também será debatido.

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