Carnes: governo tenta levar russos a Careiro da Várzea (AM)

Brasília, 19 - O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano, reafirmou hoje o interesse do governo brasileiro em que veterinários da Rússia que cumprem agenda de trabalho no País visitem a região de Careiro da Várzea, no Amazonas. O registro de um foco de febre aftosa no município, que fica a 26 quilômetros de Manaus e não tem autorização para exportação, levou a Rússia a suspender as importações de carne do Brasil. O embargo vigora desde 21 de setembro, mas nesta semana Moscou autorizou o comércio de produtos de Santa Catarina, único estado que é considerado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa sem vacinação. Tadano lembrou, no entanto, que os técnicos russos que estão no País estão com a agenda apertada. O grupo, que chegou ao Brasil na terça-feira (16), esteve em Paulínia, no interior de São Paulo, onde conheceu um laboratório de vacinas. Eles também visitaram um frigorífico e uma fazenda de pecuária da região de Maringá, no Paraná. "Gostaríamos que fosse feita uma visita in loco (em Careiro da Várzea) para que os técnicos avaliassem o trabalho feito pelo governo para controle do foco", afirmou. O foco foi notificado pelo ministério em setembro. Na próxima semana, a missão russa também deve visitar a divisa de Tocantins com o Pará, na região de Couto Magalhães, em Tocantins, e Itaituba, no Pará, para conhecer o sistema de "zona tampão" adotado pelo ministério para isolar as áreas livres de aftosa das áreas infectadas. Tadano acrescentou que os russos têm acesso livre aos estados e às informações sobre o sistema de defesa sanitária adotada pelo País. "Toda vez que há uma missão no Brasil, não há limites. Adotados o princípio da transparência total", disse o secretário. A expectativa do governo é que o mercado russo seja reaberto para a carne brasileira. Hoje, 15 estados brasileiros são considerados livres de aftosa com vacinação e têm autorização para vender à União Européia e a outros países. "Queremos que os 15 estados reconhecidos sejam aceitos pelas autoridades russas", comentou. Em 2003, o comércio de carnes com a Rússia rendeu US$ 54 milhões ao País. No acumulado de 2004 até outubro, o valor chega a US$ 72 milhões. "Os números mostram a importância desse mercado", comentou. Amanhã, 20, o secretário Tadano reúne-se com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Sergei Dankvert, que chegou hoje ao Brasil. A reunião está marcada para as 16h, no gabinete do secretário, em Brasília. A intenção é discutir as informações coletadas pelos russos durante essas visitas.

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