Carnes: Rússia pede informações ao Brasil sobre defesa sanitária

Brasília, 4 - O governo da Rússia encaminhou ao Ministério da Agricultura documento com sete páginas solicitando informações detalhadas sobre o sistema brasileiro de defesa sanitária. O questionário foi encaminhado pelo Serviço Veterinário e Fitossanitário da República da Rússia na semana passada à Embaixada do Brasil em Moscou, informou interlocutor do ministério. O documento foi traduzido no final de semana e chegou hoje a Brasília, endereçado ao Ministério da Agricultura. A Rússia suspendeu as compras de carne do Brasil no dia 21 de setembro, depois que o governo confirmou um foco de febre aftosa no rebanho bovino de Careiro da Várzea, no Amazonas, região que não é exportadora de carne. Um missão do ministério esteve em Moscou, mas não conseguiu reverter o embargo às carnes brasileiras. Por meio de questionário encaminhado ao Brasil, a Rússia pede informações detalhadas sobre todo o sistema de defesa sanitária animal do País. Moscou solicita ao Ministério da Agricultura dados aprofundados sobre o sistema de produção de todos os tipos de carne, inclusive frango e peixe, que não são suscetíveis à febre aftosa. As questões estão divididas em 12 tópicos, que são subdivididos em inúmeros itens, distribuídos em sete páginas. "Quando há embargo, é comum o envio de questionário, mas esse da Rússia é muito detalhado", afirmou fonte do Ministério da Agricultura. Para essa fonte, parte dos questionamentos é reflexo do "desconhecimento de países asiáticos sobre o Brasil". Ele disse, no entanto, que técnicos do governo brasileiro ficaram "perplexos" com a exigência de Moscou para que as informações não fiquem restritas ao município de Careiro da Várzea, no Amazonas. O registro de um foco de febre aftosa no Amazonas, que não tem autorização para exportação, levou a Rússia a suspender, em 21 de setembro, as compras de carne do Brasil. No questionário, os russos pedem informações sobre as fronteiras do País (número de postos de fronteira); limites de controle de todos as doenças; sistema de rodovias e ferrovias; órgãos veterinários municipais, estaduais e federais; e regras e leis que tratam das questões sanitárias. Para esse último item, Moscou quer cópias de toda a legislação. Eles também querem informações sobre o rebanho bovino do País nos últimos três anos. Em anexo, também deve ser remetido a Moscou um mapa detalhado do País. O Ministério da Agricultura deve designar uma equipe técnica para responder ao questionário encaminhado pelo governo da Rússia ao País. Os russos não estabeleceram prazos para o envio das respostas, mas o ministério quer agilidade na comunicação. De acordo com fonte do governo, quando a Rússia determinou o embargo anterior, em junho, não houve envio de questionário para o Brasil. No questionário que chegou hoje a Brasília, também há perguntas sobre o sistema de rastreabilidade bovinos, o Sisbov. A fonte lembrou que a missão técnica que esteve em Moscou para tentar pôr fim ao segundo embargo do ano apresentou dados detalhados sobre a região do foco de Careiro da Várzea, no Amazonas.

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