Ahmad Yusni|EFE
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Carrefour confirma investimento de R$1,8 bilhão no próximo ano

Grupo francês foca na venda de alimentos saudáveis e pode investir mais, se a economia melhorar após eleições

Márcia De Chiara e Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2018 | 04h00

O Grupo Carrefour pretende investir R$ 1,8 bilhão no País em 2019, a mesma cifra aplicada neste ano. Noël Prioux, presidente do grupo no Brasil, disse que o investimento pode ser maior. Ele vinculou o aumento do aporte à melhoria do cenário econômico, esperada depois as eleições. “Precisamos de um governo eleito com projeto comum, que é algo que os brasileiros têm de construir”, disse.

Para investir mais, todas as empresas precisam ter confiança, afirmou o executivo ontem, durante o anúncio de um projeto global da companhia para estimular a venda de produtos saudáveis, incluindo itens de produção regional e orgânicos. Esse projeto está contemplado no plano de investimento no País, que inclui também abertura de lojas de atacarejo, de hipermercado e de supermercados.

Batizado de “Act for Food”, o programa de investir em alimentos saudáveis ocorre simultaneamente em todos os países onde a companhia está é um dos pilares do plano de transformação do Grupo, anunciado na França em janeiro. Outro pilar é a mudança na área digital.

A companhia estabeleceu a meta de duplicar a participação de produtos orgânicos nas vendas de itens frescos até 2020, quando deve atingir 5 bilhões. Segundo Prioux, na média brasileira os orgânicos representam em torno de 0,6% do total. Ele acredita que, com esse projeto, seria possível atingir fatia de 5% “rapidamente”.

“O Carrefour é o primeiro grande player do setor de supermercados no País que abraça a causa de produtos saudáveis”, avaliou Alexandre Van Beeck, consultor de varejo da Gouvêa de Souza. Esse movimento, segundo ele, foi feito para atender à demanda crescente por esse tipo de alimento. A forma de introduzir esses produtos nas lojas – não apenas comprando itens orgânicos, mas rastreando toda a cadeia de produção, do campo à prateleira do supermercado –, tem como modelo a cadeia americana de supermercados Whole Foods. A rede foi comprada pela Amazon, líder mundial do varejo digital.

Preços

Atualmente o Carrefour tem 1.500 produtores envolvidos nesse projeto, dos quais 650 estão voltados para alimentos orgânicos. Até o final do ano, a intenção é implementar em 50 lojas corredores específicos para expor produtos saudáveis. No ano que vem, a expectativa é vender esses itens em todas as lojas da rede.

O presidente do Carrefour disse que a companhia espera que esses produtos saudáveis tenham preços acessíveis. O objetivo é permitir uma redução na diferença que há hoje entre a cotação de produtos orgânicos e não-orgânicos. Segundo ele, essa diferença gira em torno de 25% e deve recuar para 15%.

Outro foco do programa de alimentos saudáveis é o desenvolvimento de produtores locais para itens de marca própria do Carrefour. Como é sabido no varejo de supermercados, as margens de comercialização de itens frescos, orgânicos e de marca própria normalmente são maiores que de outros alimentos. No entanto, Prioux enfatizou que esse não é o propósito do programa, até porque ele tem custos relevantes, como o de transporte. Para ele, a importância da iniciativa está na chance de vender mais.

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