Carstens pede FMI mais flexível com países sob auxílio

Presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens, visitará o Brasil amanhã como parte de um tour global para obter apoio para sua candidatura à direção do FMI

Danielle Chaves, da Agência Estado,

31 de maio de 2011 | 12h19

LISBOA - O mexicano Agustín Carstens, até agora o único a desafiar a renovada tentativa da Europa de dirigir o Fundo Monetário Internacional (FMI), sugere mais flexibilidade para países que tenham recebido programas de suporte financeiro do fundo. Carstens visitará o Brasil amanhã como parte de um tour global para obter apoio para sua candidatura.

O presidente do Banco Central do México, principal concorrente da francesa Christine Lagarde para a direção do FMI, esteve em Lisboa e Madri nesta semana. Depois de visitar o Brasil, Carstens deverá viajar para Argentina, Canadá, Índia, China e Japão nas próximas semanas.

Sem mencionar especificamente a Grécia, Carstens afirmou em uma entrevista à Dow Jones que países debilitados não deveriam ser punidos por metas fracassadas desde que eles mostrem comprometimento. "Quando programas são desenhados em uma crise, existe muita incerteza, e o fundo precisa ser flexível ao reconhecer medidas que não estão funcionando tão bem quanto o esperado e encontrar uma nova solução", disse.

Segundo Carstens, o FMI precisa de alguém de um mercado emergente com experiência em lidar com crises financeiras. Economias emergentes da Ásia e da África têm dado suporte para uma ruptura da tradição de manter um europeu na direção do FMI, mas os europeus rapidamente se uniram em apoio a Lagarde.

O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, afirmou hoje que a administração das instituições globais precisa ser "atualizada conforme as realidades contemporâneas". Pravin Gordhan, ministro de Finanças da África do Sul, por sua vez, destacou que a discussão é sobre a "mudança de um processo de nomeação para a liderança de certas instituições para um processo mais democrático".

"Praticamente todos os países que não são europeus estão apoiando a ideia de que o candidato ao cargo deve ser escolhido por mérito, e não pela origem", comentou Carstens.

O mexicano discordou do argumento de Lagarde de que seria vantajoso ter alguém com conhecimento dos problemas políticos europeus durante a crise de dívida soberana. "Eu discordo totalmente da ideia de que o FMI precisa de um europeu", disse. "O FMI precisa de uma pessoa com experiência em lidar com crises, que tenha um histórico financeiro sólido, e precisa de alguém da América Latina", acrescentou. As informações são da Dow Jones.

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