Casino acusa Abilio Diniz de negociação 'ilegal'

O Casino acusa o Carrefour e o empresário Abilio Diniz de conduzirem negociações "ilegais" de fusão no Brasil e diz que tem poder para se opor ao negócio. Sócio do Pão de Açúcar, o grupo francês divulgou nesta manhã um comunicado firme, mostrando que a relação azedou completamente.

DANIELA MILANESE, Agencia Estado

28 de junho de 2011 | 08h50

Na visão do Casino, a Gama, empresa do BTG Pactual, não fez uma proposta espontânea de fusão entre o Carrefour e o Pão de Açúcar (CBD) no País. Segundo ele, trata-se de uma "transação financeira ilegalmente planejada entre o Carrefour e Abilio Diniz". "Esse anúncio confirma que negociações secretas e ilegais foram conduzidas e ainda estão acontecendo."

O Carrefour informou nesta manhã que recebeu uma proposta de fusão com o Grupo Pão de Açúcar (CBD). Segundo a empresa francesa, a oferta foi feita pela Gama, companhia que pertence ao BTG Pactual. Haveria uma capitalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O negócio formaria a maior rede varejista do Brasil.

O Casino argumenta que, conforme o acordo fechado anos atrás, nenhuma negociação sobre o futuro do Pão de Açúcar poderia estar acontecendo sem a sua participação. O sócio francês diz que descobriu as negociações em curso e, inicialmente, lembrou as partes dessa obrigação. O grupo francês comprou, em 2005, o direto de assumir o controle do Pão de Açúcar em 2012 - hoje o controle é dividido em 50% para cada parte, por meio da Wilkes.

"Apesar do lembrete, eles continuaram com as discussões, deliberadamente ignorando a lei e a ética de negócios básica", afirma o comunicado divulgado na França.

O grupo argumenta que tem poder para se opor à transação, conforme o acordo em curso, e que nenhuma negociação pode ser conduzida sem o consentimento e sem discussão prévia com o conselho da Wilkes, holding que controla o Pão de Açúcar. "Nos próximos dias, o Casino vai examinar a melhor forma de defender os interesses corporativos da CBD e de seus acionistas, que parece ameaçado por esse projeto muito complexo e com objetivo financeiro."

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