Casino compra ações do Pão de Açúcar

O anúncio, que será feito nesta quinta-feira, ocorre duas semanas após o grupo francês ter adquirido um lote de 3,3% dos papéis da rede de varejo

Patrícia Cançado, de O Estado de S. Paulo,

29 de junho de 2011 | 23h00

O Casino vai anunciar nesta quinta-feira que comprou nos últimos dias mais um lote relevante de ações do Pão de Açúcar na bolsa. Segundo o ‘Estado’ apurou, o comunicado será enviado à companhia no começo da manhã. Com isso, o sócio francês de Abilio Diniz quer reforçar um recado que vem dando há semanas: tem um compromisso de longo prazo com o Pão de Açúcar e com o Brasil e não pretende abrir mão da companhia.

Esse novo lance do Casino pode se tornar mais um ingrediente na guerra pública instalada entre os dois sócios desde que as negociações entre Abilio e Carrefour vieram à tona, há pouco mais de um mês.

Coincidência ou não, nesta quarta-feira, 29, o departamento jurídico societário do Pão de Açúcar enviou uma carta proibindo a negociação com ações da companhia e da Globex por todos os controladores, acionistas e pessoas que possam ter informação privilegiada com a negociação da fusão do grupo com o Carrefour.

No comunicado, ao qual a Agência Estado teve acesso, a empresa lembra que o descumprimento da proibição poderá resultar em sanções pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A carta é assinada por André Risk, do departamento jurídico societário da rede e endereçada individualmente às pessoas relacionadas.

Procurada, a assessoria de imprensa do Pão de Açúcar informa que o envio de e-mail é de praxe nessas situações e que não existia suspeita de compra de ações. Trata-se somente de um aviso, para lembrar os acionistas da existência da instrução 358 da CVM, segundo a companhia.

No texto do comunicado que enviará ao Pão de Açúcar, o Casino deve deixar claro que a operação de compra foi legal e que estava baseada na mesma instrução da CVM. Segundo fontes próximas ao grupo francês, o Casino não estaria preocupado com essa recomendação já que, publicamente, reclama de ter poucas informações sobre a operação.

Acionistas. No comunicado divulgado ao mercado nesta quarta, o Casino expressou sua indignação em um anúncio que ocupou quase uma página nos principais jornais do País: "Trata-se de proposta estruturada em conjunto, em segredo e de forma ilegal, com o objetivo de frustrar as disposições do acordo de acionistas que regem a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e, indiretamente, expropriar do Casino os direitos de controle adquiridos e pagos no ano de 2005".

O Estado apurou que a compra desta quinta será maior do que a anunciada há duas semanas. No dia 16 de junho, o Casino informou ao mercado que aumentou a sua participação do Pão de Açúcar para 37%, depois de comprar mais 3,3% das ações da empresa brasileira no mercado. Na ocasião, o recado era o mesmo.

Nesta quarta, ao longo da manhã, as ações preferenciais (sem direito a voto) do Pão de Açúcar chegaram a subir até 12%. Mas os papéis fecharam em queda de 3,07%, cotados a R$ 71, no pregão da quarta-feira. Na terça-feira, dia do anúncio da operação de fusão, o mercado recebeu bem a notícia e as ações da companhia dispararam 12,64%.

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