Casino pede 'pleno respeito dos contratos em vigor'

O Casino, sócio da família Diniz na Companhia Brasileira de Distribuição - CBD (Grupo Pão de Açúcar), publicou hoje na imprensa brasileira comunicado ao mercado sobre a proposta do BTG Pactual para fundir a rede varejista com as operações do Carrefour no Brasil. "Após semanas de negar informação ao Casino, à CBD e ao mercado, foram finalmente divulgados, ontem, os termos de uma operação envolvendo um fundo de investimento, o sr. Abilio Diniz e o Carrefour. Trata-se de uma proposta estruturada em conjunto, com o objetivo de frustrar as disposições do acordo de acionistas que regem a CBD e, indiretamente, expropriar do Casino os direitos de controles adquiridos e pagos no ano de 2005", diz a companhia francesa, no comunicado.

EULINA OLIVEIRA E SABRINA VALLE, Agencia Estado

29 de junho de 2011 | 08h41

"Ao conduzir estas negociações, o Carrefour e o sr. Abilio Diniz ignoraram deliberadamente tanto a lei e os contratos quanto os princípios fundamentais da ética comercial", acrescenta o sócio do Pão de Açúcar. "O Casino tem sido um acionista leal da CBD, comprometido e de longo prazo, desde 1999, quando foi convidado pelo sr. Abilio Diniz e sua família para se tornar o maior acionista da companhia, numa época em que a CBD passava por sérias dificuldades."

O grupo francês lembra, no comunicado, que adquiriu o direito de se tornar controlador da CBD em 2012. E conclui: "O Casino vem a público para afirmar que deseja apenas o pleno e contínuo respeito à letra e ao espírito dos contratos em vigor. Estamos confiantes que as leis e as autoridades brasileiras não permitirão que prevaleça qualquer ameaça ou estratagema destinado a violar direitos legitimamente constituídos de acordo com as leis do País".

A proposta apresentada ontem pelo BTG Pactual prevê que, por meio de uma operação de incorporação de ações da CBD pelo Novo Pão de Açúcar (NPA) - empresa que seria criada para viabilizar a transação, reunindo CDB, BNDESPar e BTG -, os acionistas da CDB receberiam, em troca de suas ações de emissão da CDB, novas ações ordinárias emitidas pelo NPA. Desta forma, se tornariam acionistas do NPA, que, por sua vez, se tornaria a única acionista da CBD.

O Casino passaria sua participação de 37% da operação do Pão de Açúcar para 29% do NPA, sendo portanto diluído. O estatuto social do NPA prevê um capital social composto exclusivamente por ações ordinárias. As ações ON de emissão do NPA passariam a ser listadas na BM&FBovespa e na Bolsa de Nova York por meio de ADRS. A CDB seria cancelada em ambas as bolsas.

Ontem, após a divulgação da proposta de fusão, o presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, enviou comunicado ao mercado através da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitando a convocação imediata de uma reunião do conselho de administração da Wilkes Participações - empresa compartilhada entre Casino e Abilio Diniz e que controla o Pão de Açúcar.

A solicitação foi feita pelo Casino diretamente a Diniz, que preside o conselho de administração da Wilkes.

O Grupo Pão de Açúcar também divulgou um novo comunicado ontem, assinado por Diniz, no qual pede para também se pronunciar publicamente, por considerar estar sendo alvo de "manifestações agressivas" e ataques através da imprensa por parte de Naouri. O empresário diz que essas manifestações "distorcem completamente" a realidade dos fatos e defende que a proposta seja analisada com serenidade.

"Estou em Paris há 24 horas, tentando sem sucesso um encontro com Jean-Charles Naouri, a fim de discutirmos a proposta que recebemos e que precisa ser analisada. JCN se nega a dialogar, prefere me atacar pela imprensa. Não consigo entender o propósito disso. Temos que ter serenidade nesse momento para examinar a proposta de forma objetiva, buscando os interesses do GPA", afirma Diniz no comunicado divulgado ontem.

Diniz acrescenta que "continuará empenhado para chegar a uma solução amigável para o bem da companhia e de todas as partes".

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