Casino pede reunião imediata do conselho da Wilkes

O presidente do Casino, Jean-Charles Naouri, enviou hoje um comunicado ao mercado através da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitando a convocação imediata de uma reunião do conselho de administração da Wilkes Participações - empresa compartilhada entre Casino e Abilio Diniz e que controla o Grupo Pão de Açúcar.

SABRINA VALLE, Agencia Estado

28 de junho de 2011 | 18h02

A solicitação é feita pelo Casino diretamente a Abilio dos Santos Diniz, na qualidade de presidente do conselho de administração da Wilkes.

O grupo Casino pede a reunião para discutir os termos da proposta apresentada pela Gama 2 SPE, que uniria as operações do Pão de Açúcar ao Carrefour, concorrente mundial do Casino.

No comunicado, Naouri diz lamentar profundamente que Diniz tenha iniciado e dado curso a "negociações secretas e ilegais", sem informar ao maior acionista individual da companhia, no caso o próprio Casino, sobre os acontecimentos, e negando publicamente a existência de negociações relevantes.

"Solicitamos a V.Sa. que, visando a resguardar os interesses da Companhia, nenhuma negociação com terceiros seja iniciada, nenhuma informação sobre os negócios da CBD (Companhia Brasileira de Distribuição) seja disponibilizada a terceiros, e nenhum acordo seja celebrado com terceiros, antes de ser obtida a necessária aprovação da acionista controladora Wilkes, na forma das normas de observância obrigatória para a Companhia e seus administradores constantes dos acordos de acionistas registrados na Companhia", afirma Naouri, no comunicado.

A nota salienta ainda que, "diante de uma agressão dessa grandeza", o Casino não hesitará em "adotar todas medidas cabíveis para a preservação dos interesses da Companhia e de todos os seus acionistas, e do estado de direito e do respeito à propriedade que caracterizam o Brasil".

Quatro minutos depois de divulgado o documento do Casino pela CVM, o grupo Pão de Açúcar divulgou um novo comunicado, assinado pelo empresário Abilio Diniz, no qual pede para também se pronunciar publicamente, por considerar estar sendo alvo de "manifestações agressivas" e ataques através da imprensa por parte de Naouri. O empresário diz que essas manifestações "distorcem completamente" a realidade dos fatos e defende que a proposta seja analisada com serenidade.

"Estou em Paris há 24 horas, tentando sem sucesso um encontro com Jean-Charles Naouri, a fim de discutirmos a proposta que recebemos e que precisa ser analisada. JCN se nega a dialogar, prefere me atacar pela imprensa. Não consigo entender o propósito disso. Temos que ter serenidade nesse momento para examinar a proposta de forma objetiva, buscando os interesses do GPA."

Diniz afirma ainda que continuará empenhado em chegar a uma solução amigável para o bem da companhia e de todas as partes.

"Peço a todos vocês que confiem em mim, como sempre o fizeram, tenho minha consciência tranquila, continuarei conduzindo meus atos com a mesma correção que sempre direcionou a minha vida e, portanto, tenho fé em Deus que em breve todo o problema com Casino estará superado e poderemos continuar nosso trabalho com eficiência, alegria e felicidade", diz.

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